Karol Assunção
Jornalista da Adital
Adital
A Caravana Cidadã pela Paz com Justiça e Dignidade completa, hoje (8), seu quinto dia de caminhada pelos estados mexicanos com o objetivo de pedir a assinatura para o "Pacto de Segurança Nacional”, elaborado pelo Movimento Nacional pela Paz com Justiça e Dignidade. Os manifestantes exigem do Estado justiça para as mais de 40 mil vítimas da "guerra contra o narcotráfico”.
Desde o último sábado (4), centenas de familiares de vítimas e organizações sociais percorrem o país em rechaço à violência. A mobilização, comandada pelo poeta Javier Sicilia, partiu de Cuernavaca (Morelos) rumo à Ciudad Juárez (Chihuahua), local em que pretende chegar na próxima sexta-feira (10).
Ontem (7), ao passar por Zacatecas, Sicilia pediu justiça às vítimas da violência no país e destacou que o Governo mexicano falhou na implementação de políticas sociais. "[As vítimas da guerra contra o narcotráfico] são humanas, e não uma cifra de danos colaterais”, comentou.
A violência no país atinge índices alarmantes desde 2006, início do mandato do presidente Felipe Calderón, quem empreende uma "guerra contra o narcotráfico”. Nestes últimos cinco anos, estima-se que mais de 40 mil pessoas morreram e 18 mil desapareceram em decorrência do conflito.
Apesar de altas, as cifras ainda deverão aumentar com as descobertas de fossas clandestinas. Ontem, autoridades mexicanas descobriram mais sete valas com cerca de dez cadáveres em San Fernando, Tamaulipas. Segundo informações de Telesur, com os novos achados, já são 47 fossas ilegais e 193 corpos encontrados na região. Até agora, de acordo com Marisela Morales, representante da Procuradoria Geral da República (PGR), somente 12 corpos foram entregues aos familiares.
As descobertas de cadáveres também se repetem em Durango. Notícias dão conta de pelo menos 218 corpos encontrados em fossas ilegais no estado. Segundo informações de agências, equipes militares continuam na região em busca de mais cemitérios clandestinos.
No início deste mês, o jornalista Noel López Olguín, que estava desaparecido desde março, apareceu morto no município de Jáltipan, estado de Veracruz. De acordo com dados da Comissão Nacional de Direitos Humanos divulgados pela imprensa, com o assassinato de Olguín, o país atinge a cifra de 69 jornalistas mortos desde 2000.
As fossas clandestinas não são uma realidade apenas de Durango e Tamaulipas. Notícias revelam que ainda foram encontrados depósitos clandestinos de cadáveres em Guerrero, Michoacán, Sinaloa, Nuevo León e Chihuahua.
As autoridades acreditam que os assassinatos e os desaparecimentos estejam relacionados a grupos de narcotraficantes que pretendem controlar as rotas do tráfico. Entretanto, a batalha contra o crime ainda é dificultada pela participação de autoridades nos grupos criminosos. Em abril passado, por exemplo, 16 policiais foram presos por envolvimento com o grupo Los Zetas.
Com informações de agências.
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