BRAZZAVILLE, República do Congo, 12 de março (ACNUR)
Chantal, de 43 anos e mãe de cinco crianças, está desesperada por abrigo. Ela está entre as cerca de 14 mil pessoas com necessidades urgentes de assistência e que ficaram desabrigadas depois que um depósito de armamentos explodiu, no último dia 04 de março na parte oriental da cidade de Brazzaville, capital da República do Congo.
“Eu não tenho sequer um pedaço de plástico para, ao menos, criar alguma sombra,” disse Chantal para uma equipe do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, enquanto via uma família construir um abrigo improvisado de plástico no mercado aberto de Nkombo. “Estou aqui desde segunda-feira, embaixo do sol, sem um lugar para ficar na parte coberta do mercado. Não posso nem cozinhar”, afirma Chantal. “Espero anoitecer e o sol se pôr para que fazer alguma coisa. Mas é muito complicado”.
Após receber um pedido para apoiar o governo, o ACNUR está ajudando as vítimas mais vulneráveis da série de explosões que matou mais de 200 pessoas, de acordo com números oficiais. Os desabrigados estão concentrados no mercado de Nkombo e em outros seis locais. O ACNUR auxiliará na administração desses lugares e fará o registro dos deslocados internos.
“O registro dos deslocados internos é essencial para controlar a situação e providenciar a assistência necessária”, disse Paul Ndaitouroum, representante do ACNUR em Brazzaville. “É extremamente importante identificar as pessoas mais vulneráveis e providenciar suporte a elas”, acrescenta.
Saiba mais em www.acnur.org.br
quinta-feira, 15 de março de 2012
Manaus terá consulado itinerante para haitianos
A CPI do Tráfico Nacional e Internacional de Pessoas teve mais uma reunião em Manaus, no Auditório Belarmino Lins, da Assembléia Legislativa do Amazonas. Presidida pela Senadora Vanessa Grazziotin, a sessão teve a presença de autoridades envolvidas no tema e de aproximadamente 50 haitianos que imigraram para o Amazonas após o trágico terremoto que praticamente destruiu o país em 2010.
Para o Secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão, um dos convidados do evento, o Brasil se encontra em uma ótima situação econômica, o que provoca o retorno de brasileiros que foram morar em outros países e a entrada de pessoas que vivem em países em crise.
Um outro fator que aumenta a imigração, afirmou Paulo Abrão, é que o Brasil vivencia uma grande exposição internacional, pois sediará grandes eventos como a Rio + 20, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Além disso, o país é visto tradicionalmente como um país receptivo a imigrantes. O secretário ressaltou, entretanto que, com relação aos haitianos, não houve crime de tráfico de pessoas. O caso seria uma questão de direitos humanos.
O crime de tráfico de pessoas, segundo estatísticas dos órgãos competentes, aparece em quarto lugar na mobilização de recursos internacionais. Com características peculiares, esse crime é um dos mais difíceis de ser apurado, segundo autoridades no assunto, como o Superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Sérgio Fontes.
“Pelo que investigamos, no caso dos haitianos que vieram para o Amazonas não há características de crime de tráfico de pessoas, pois eles realizam uma espécie de consórcio familiar para pagar os custos da vinda deles. Quem vem para o Brasil se compromete em enviar para os familiares recursos oriundos do seu trabalho por aqui” – comentou Fontes, que ainda convidou os haitianos a denunciarem todo caso de extorsão no processo de mudança para o Brasil.
Entretanto, foi inaugurado nesta segunda-feira, em Manaus, o primeiro posto rodoviário do Brasil feito especialmente para recepcionar imigrantes. A capital amazonense também sediará o primeiro Consulado Itinerante do Haiti.
Fonte: www. www.radiovaticana.org
Para o Secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão, um dos convidados do evento, o Brasil se encontra em uma ótima situação econômica, o que provoca o retorno de brasileiros que foram morar em outros países e a entrada de pessoas que vivem em países em crise.
Um outro fator que aumenta a imigração, afirmou Paulo Abrão, é que o Brasil vivencia uma grande exposição internacional, pois sediará grandes eventos como a Rio + 20, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Além disso, o país é visto tradicionalmente como um país receptivo a imigrantes. O secretário ressaltou, entretanto que, com relação aos haitianos, não houve crime de tráfico de pessoas. O caso seria uma questão de direitos humanos.
O crime de tráfico de pessoas, segundo estatísticas dos órgãos competentes, aparece em quarto lugar na mobilização de recursos internacionais. Com características peculiares, esse crime é um dos mais difíceis de ser apurado, segundo autoridades no assunto, como o Superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Sérgio Fontes.
“Pelo que investigamos, no caso dos haitianos que vieram para o Amazonas não há características de crime de tráfico de pessoas, pois eles realizam uma espécie de consórcio familiar para pagar os custos da vinda deles. Quem vem para o Brasil se compromete em enviar para os familiares recursos oriundos do seu trabalho por aqui” – comentou Fontes, que ainda convidou os haitianos a denunciarem todo caso de extorsão no processo de mudança para o Brasil.
Entretanto, foi inaugurado nesta segunda-feira, em Manaus, o primeiro posto rodoviário do Brasil feito especialmente para recepcionar imigrantes. A capital amazonense também sediará o primeiro Consulado Itinerante do Haiti.
Fonte: www. www.radiovaticana.org
terça-feira, 13 de março de 2012
Haitianos no Brasil. Entrevista especial com Rutemarque Crispim
“A imigração vai continuar fazendo parte da cultura brasileira”, assinala Rutemarque Crispim, pároco de Nossa Senhora das Dores, em Brasileia, no Acre.
A pequena cidade de Brasileia, localizada no Acre, faz divisa com a Bolívia e tem sido o destino inicial de muitos haitianos que migram para o Brasil. Depois de encaminharem a documentação para permanecerem oficialmente no país, eles viajam para outros estados em busca de trabalho e moradia fixa, pois o Acre não tem estrutura para mantê-los durante um longo período. “Lembro que, quando nós começamos a preparar a alimentação deles na cozinha paroquial, ficávamos angustiados porque passávamos um dia inteiro elaborando uma única refeição. Às vezes não tínhamos panelas para cozinhar o feijão. É desumano eles virem para o Brasil e não serem bem acolhidos”, relata Crispim à IHU On-Line, em entrevista concedida por telefone.
Padre Crispim recebe os haitianos desde janeiro de 2011, quando assumiu a Paróquia Nossa Senhora das Dores, e revela que um dos maiores desafios ao trabalhar com imigrantes é compreender as leis para orientá-los. Em sua avaliação, o Brasil continuará recebendo imigrantes nos próximos anos e precisa se preparar para acolhê-los. “Outro grande desafio é nos preocuparmos com o ser humano, porque às vezes somos tentados a ver os haitianos apenas como uma mão de obra barata. Temos de ter clareza de que eles sofreram bastante e de que vêm para o país com uma angústia muito grande, pois deixaram suas famílias no Haiti e precisam enviar dinheiro para elas. A imigração vai continuar fazendo parte da cultura brasileira”, conclui.
Rutemarque Crispim é pároco de Nossa Senhora das Dores, em Brasileia, no Acre.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Desde quando os haitianos estão migrando para o Acre e qual a situação dos que chegam a Brasileia?
Rutemarque Crispim – Nós estamos acolhendo os haitianos que chegam ao Acre desde meados de 2010. Os primeiros imigrantes que chegaram ao país tinham muito medo, pois, antes de virem para o Brasil, foram para países como o Peru, onde não foram bem recebidos. No primeiro contato que tive com eles, na praça de Brasileia, percebi que estavam assustados porque não sabiam o que iria acontecer com eles, especialmente porque não conseguiam se comunicar em função do idioma. Alguns falam inglês, espanhol e francês, e poucos brasileiros conseguiam compreendê-los.
IHU On-Line – Como acontece a passagem dos imigrantes pelas fronteiras da Bolívia e do Peru?
Rutemarque Crispim – Eles tentam migrar pelo Peru, mas como geralmente encontram a ponte fechada pela polícia, entram no Brasil pela rota boliviana, depois pegam um táxi e chegam ao país à noite, de maneira clandestina. Essa situação é bastante difícil, pois até chegarem ao Brasil alguns são assaltados e sofrem violência.
IHU On-Line – Quantos estão em Brasileia neste momento?
Rutemarque Crispim – Atualmente poucos haitianos estão no Acre, pois eles chegam aqui e em seguida encaminham a documentação para permanecerem no país, e migram para outros estados, em busca de trabalho. Hoje, existem menos de 40 haitianos no Acre.
IHU On-Line – Como a população de Brasileia reage diante da chegada dos imigrantes?
Rutemarque Crispim – A onda de imigração já teve várias fases. Como Brasileia faz divisa com a Bolívia, em 2008 a cidade acolheu os bolivianos refugiados políticos que foram expulsos de seu país. Brasileia sempre foi muito solidária no sentido de acolher o estrangeiro.
No entanto, quando os haitianos chegaram, a situação foi um pouco diferente, pois a população tinha medo e receio de serem contaminados por alguma doença, já que havia comentários de que os haitianos tinham cólera, HIV, bactérias. Queira ou não, a cultura brasileira é racista. De todo modo, foi possível acolher os imigrantes e as pessoas foram solidárias. A Igreja pediu ajuda e contribuição para as famílias, que doaram alimentos e roupas. Alguns haitianos chegaram sem nada, pois eram assaltados ao longo do caminho.
A juventude também foi bastante solidária; os jovens conversavam com os haitianos, principalmente aqueles que falam inglês. Eles queriam saber da cultura e dos problemas enfrentados no Haiti.
IHU On-Line – O governo do Acre distribui passagens para que os imigrantes possam ir para outros estados. Como o senhor avalia essa postura? O Acre tem condições de receber e abrigar os imigrantes ou um percentual deles?
Rutemarque Crispim – O Acre não tem estrutura para mantê-los no estado, pois os hospitais e postos de saúde são muito limitados e não há locais para hospedá-los. Lembro que, quando nós começamos a preparar a alimentação deles na cozinha paroquial, ficávamos angustiados, porque passávamos um dia inteiro elaborando uma única refeição. Às vezes não tínhamos panelas para cozinhar o feijão. É desumano eles virem para o Brasil e não serem bem acolhidos. Então, a iniciativa do governo do Acre foi de grande valor para os haitianos e para algumas empresas que não tinham condições de pagar as passagens para seus futuros funcionários. Desde o início deste ano, as empresas que irão empregar os haitianos estão comprando as passagens para eles. Mandá-los para outros estados não é uma opção de repulsa nem de preconceito, mas uma forma de ajudá-los, porque eles querem trabalhar. A maioria deles quer mudar para São Paulo.
IHU On-Line – Como a Igreja tem se posicionado diante destas migrações e como tem atuado junto aos haitianos?
Rutemarque Crispim – Assumi a paróquia no ano passado, no dia 2 de janeiro. Em seguida, recebi aproximadamente 300 haitianos. Eu sabia pouco em relação a refúgio, à documentação. Então, tive que estudar para compreender como deveria agir diante desta onda migratória, porque, às vezes, queremos ajudar, mas podemos fazer algo errado. A Cáritas Diocesana nos ajudou muito, além de Pe. Raimundo, pároco de uma cidade vizinha. Ainda estamos aprendendo a lidar com os imigrantes e refugiados que chegam ao estado.
A estrutura da Igreja é pequena, e ainda não temos a Pastoral da Mobilidade Humana, uma pastoral dos imigrantes; neste mês queremos fundá-la. Como sabemos, haitianos, africanos, quenianos, bolivianos vão continuar entrando no Brasil pela fronteira com a Bolívia, e temos de ter uma estrutura para ajudá-los.
IHU On-Line – Quais são os maiores desafios de atuar junto dos imigrantes?
Rutemarque Crispim – O primeiro desafio é ter compreensão das leis, para saber como proceder com as pessoas que chegam ao Brasil.
Outro grande desafio é nos preocuparmos com o ser humano, porque às vezes somos tentados a ver os haitianos apenas como uma mão de obra barata. Temos de ter clareza de que eles sofreram bastante e de que vêm para o país com uma angustia muito grande, pois deixaram suas famílias no Haiti e precisam enviar dinheiro para elas. A imigração vai continuar fazendo parte da cultura brasileira. O Brasil é formado de imigrantes e continuará sendo. Por isso temos de amadurecer essa ideia de como acolhê-los da melhor maneira possível para crescermos como comunidade.
Fonte: www.ihuonline.unisinos.br
A pequena cidade de Brasileia, localizada no Acre, faz divisa com a Bolívia e tem sido o destino inicial de muitos haitianos que migram para o Brasil. Depois de encaminharem a documentação para permanecerem oficialmente no país, eles viajam para outros estados em busca de trabalho e moradia fixa, pois o Acre não tem estrutura para mantê-los durante um longo período. “Lembro que, quando nós começamos a preparar a alimentação deles na cozinha paroquial, ficávamos angustiados porque passávamos um dia inteiro elaborando uma única refeição. Às vezes não tínhamos panelas para cozinhar o feijão. É desumano eles virem para o Brasil e não serem bem acolhidos”, relata Crispim à IHU On-Line, em entrevista concedida por telefone.
Padre Crispim recebe os haitianos desde janeiro de 2011, quando assumiu a Paróquia Nossa Senhora das Dores, e revela que um dos maiores desafios ao trabalhar com imigrantes é compreender as leis para orientá-los. Em sua avaliação, o Brasil continuará recebendo imigrantes nos próximos anos e precisa se preparar para acolhê-los. “Outro grande desafio é nos preocuparmos com o ser humano, porque às vezes somos tentados a ver os haitianos apenas como uma mão de obra barata. Temos de ter clareza de que eles sofreram bastante e de que vêm para o país com uma angústia muito grande, pois deixaram suas famílias no Haiti e precisam enviar dinheiro para elas. A imigração vai continuar fazendo parte da cultura brasileira”, conclui.
Rutemarque Crispim é pároco de Nossa Senhora das Dores, em Brasileia, no Acre.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Desde quando os haitianos estão migrando para o Acre e qual a situação dos que chegam a Brasileia?
Rutemarque Crispim – Nós estamos acolhendo os haitianos que chegam ao Acre desde meados de 2010. Os primeiros imigrantes que chegaram ao país tinham muito medo, pois, antes de virem para o Brasil, foram para países como o Peru, onde não foram bem recebidos. No primeiro contato que tive com eles, na praça de Brasileia, percebi que estavam assustados porque não sabiam o que iria acontecer com eles, especialmente porque não conseguiam se comunicar em função do idioma. Alguns falam inglês, espanhol e francês, e poucos brasileiros conseguiam compreendê-los.
IHU On-Line – Como acontece a passagem dos imigrantes pelas fronteiras da Bolívia e do Peru?
Rutemarque Crispim – Eles tentam migrar pelo Peru, mas como geralmente encontram a ponte fechada pela polícia, entram no Brasil pela rota boliviana, depois pegam um táxi e chegam ao país à noite, de maneira clandestina. Essa situação é bastante difícil, pois até chegarem ao Brasil alguns são assaltados e sofrem violência.
IHU On-Line – Quantos estão em Brasileia neste momento?
Rutemarque Crispim – Atualmente poucos haitianos estão no Acre, pois eles chegam aqui e em seguida encaminham a documentação para permanecerem no país, e migram para outros estados, em busca de trabalho. Hoje, existem menos de 40 haitianos no Acre.
IHU On-Line – Como a população de Brasileia reage diante da chegada dos imigrantes?
Rutemarque Crispim – A onda de imigração já teve várias fases. Como Brasileia faz divisa com a Bolívia, em 2008 a cidade acolheu os bolivianos refugiados políticos que foram expulsos de seu país. Brasileia sempre foi muito solidária no sentido de acolher o estrangeiro.
No entanto, quando os haitianos chegaram, a situação foi um pouco diferente, pois a população tinha medo e receio de serem contaminados por alguma doença, já que havia comentários de que os haitianos tinham cólera, HIV, bactérias. Queira ou não, a cultura brasileira é racista. De todo modo, foi possível acolher os imigrantes e as pessoas foram solidárias. A Igreja pediu ajuda e contribuição para as famílias, que doaram alimentos e roupas. Alguns haitianos chegaram sem nada, pois eram assaltados ao longo do caminho.
A juventude também foi bastante solidária; os jovens conversavam com os haitianos, principalmente aqueles que falam inglês. Eles queriam saber da cultura e dos problemas enfrentados no Haiti.
IHU On-Line – O governo do Acre distribui passagens para que os imigrantes possam ir para outros estados. Como o senhor avalia essa postura? O Acre tem condições de receber e abrigar os imigrantes ou um percentual deles?
Rutemarque Crispim – O Acre não tem estrutura para mantê-los no estado, pois os hospitais e postos de saúde são muito limitados e não há locais para hospedá-los. Lembro que, quando nós começamos a preparar a alimentação deles na cozinha paroquial, ficávamos angustiados, porque passávamos um dia inteiro elaborando uma única refeição. Às vezes não tínhamos panelas para cozinhar o feijão. É desumano eles virem para o Brasil e não serem bem acolhidos. Então, a iniciativa do governo do Acre foi de grande valor para os haitianos e para algumas empresas que não tinham condições de pagar as passagens para seus futuros funcionários. Desde o início deste ano, as empresas que irão empregar os haitianos estão comprando as passagens para eles. Mandá-los para outros estados não é uma opção de repulsa nem de preconceito, mas uma forma de ajudá-los, porque eles querem trabalhar. A maioria deles quer mudar para São Paulo.
IHU On-Line – Como a Igreja tem se posicionado diante destas migrações e como tem atuado junto aos haitianos?
Rutemarque Crispim – Assumi a paróquia no ano passado, no dia 2 de janeiro. Em seguida, recebi aproximadamente 300 haitianos. Eu sabia pouco em relação a refúgio, à documentação. Então, tive que estudar para compreender como deveria agir diante desta onda migratória, porque, às vezes, queremos ajudar, mas podemos fazer algo errado. A Cáritas Diocesana nos ajudou muito, além de Pe. Raimundo, pároco de uma cidade vizinha. Ainda estamos aprendendo a lidar com os imigrantes e refugiados que chegam ao estado.
A estrutura da Igreja é pequena, e ainda não temos a Pastoral da Mobilidade Humana, uma pastoral dos imigrantes; neste mês queremos fundá-la. Como sabemos, haitianos, africanos, quenianos, bolivianos vão continuar entrando no Brasil pela fronteira com a Bolívia, e temos de ter uma estrutura para ajudá-los.
IHU On-Line – Quais são os maiores desafios de atuar junto dos imigrantes?
Rutemarque Crispim – O primeiro desafio é ter compreensão das leis, para saber como proceder com as pessoas que chegam ao Brasil.
Outro grande desafio é nos preocuparmos com o ser humano, porque às vezes somos tentados a ver os haitianos apenas como uma mão de obra barata. Temos de ter clareza de que eles sofreram bastante e de que vêm para o país com uma angustia muito grande, pois deixaram suas famílias no Haiti e precisam enviar dinheiro para elas. A imigração vai continuar fazendo parte da cultura brasileira. O Brasil é formado de imigrantes e continuará sendo. Por isso temos de amadurecer essa ideia de como acolhê-los da melhor maneira possível para crescermos como comunidade.
Fonte: www.ihuonline.unisinos.br
terça-feira, 6 de março de 2012
Oportunidades: Projetos para jovens estão com inscrições abertas em várias localidades
O mês de março começou e com ele novas oportunidades para os/as jovens brasileiros/as e latino-americanos/as. São atividades que vão desde cursos profissionalizantes a oficinas e festivais culturais em diversas cidades do país, sempre estimulando o protagonismo juvenil. Confira algumas oportunidades e aproveite!
Brasil - SP: Projeto Televisivo e curso profissionalizante estão recebendo inscrições
Se você tem entre 14 e 18 anos, está cursando o ensino médio em São Paulo (SP) e tem interesse em desenvolver um programa televisivo, pode se inscrever no projeto Quarto Mundo, até o próximo domingo (4).
Realizado pela TV USP (Universidade de São Paulo) em parceira com a ONG Viração Educomunicação, o projeto apoia programas de televisão feitos por jovens. Os/as integrantes desta iniciativa participam desde a elaboração da pauta do programa até a produção, gravação e roteirização. Quer participar? Então acesse: http://quartomundotvusp.blogspot.com/
Ainda em São Paulo, jovens com mais de 16 anos de idade, que possuem o ensino fundamental completo, têm a oportunidade de se preparar para o mercado de trabalho, fazendo a inscrição para o Curso de Profissionalização e Capacitação para o Mercado de Trabalho. A atividade tem o objetivo de contribuir para a preparação de jovens de baixa renda para o concorrido mercado de trabalho.
As inscrições podem ser feitas até o dia 23 de março na sede da Unidade Avançada de Extensão da Universidade Federal de São Paulo em Santo Amaro – Unifesp (Rua Padre José Maria, 545 – Santo Amaro - São Paulo) ou através do endereço eletrônico: http://www.proex.unifesp.br/santoamaro/projetos/pirado/pirado-inscricao
O curso é promovido pelo Projeto de Integração e Reintegração para o Adolescente e Adulto para o Desenvolvimento Ocupacional (Pirado), projeto de extensão Unifesp. As aulas começarão no dia 31 de março e terminarão no dia 15 de dezembro, sempre ocorrendo aos sábados, das 9h às 13h.
Aproveite esta oportunidade, acessando: http://www.proex.unifesp.br/santoamaro/
RJ: Festival Curta Vila Kennedy recebe inscrições de vídeos até dia 13
No Rio de Janeiro (RJ), o Festival Curta Vila Kennedy recebe, até o próximo dia 13 de março, inscrições de filmes e vídeos para a exibição no evento, que acontecerá entre os dias 16 e 18 de março no Teatro Mário Lago (Rua Jaime Redondo, nº 2 – Vila Kennedy).
De acordo com o regulamento, o Curta Vila Kennedy tem "o propósito de despertar o interesse pelo cinema amador” e estimular a criação e produção audiovisual realizada por jovens de áreas periféricas do estado. Para saber mais, acesse o regulamento em: http://curtavk.blogspot.com/
GO: II Anápolis Festival de Cinema recebe inscrições para oficinas
Já em Goiás, estado do Centro-Oeste brasileiro, os/as jovens podem participar de oficinas de Cinema & Filosofia e Produção de Cinema Digital de Baixo Custo do II Anápolis Festival de Cinema, que está com inscrições abertas. Para se inscrever basta acessar o formulário disponível no site do evento e ficar atento às datas: http://www.anapolis.go.gov.br/anapolisfestivaldecinema/
As inscrições para a oficina de Cinema & Filosofia estão abertas até o dia 15 de março. A atividade acontecerá entre os dias 16 e 18, no auditório da Escola de Música de Anápolis. Já a oficina de Produção de Curta Digital recebe inscrições até o dia 18 de março. A atividade ocorrerá entre os dias 20 e 25, também no auditório da Escola de Música.
Oportunidade de estudo no exterior
E para quem deseja estudar no exterior, a Fundação Konrad Adenauer está oferecendo bolsas de estudo de pós-graduação na Alemanha. A iniciativa tem foco nos estudantes brasileiros de diversas áreas acadêmicas que integram o sistema universitário alemão. Para participar é necessário ter no máximo 30 anos, conhecimentos do idioma alemão e bom desempenho escolar.
Os/as selecionados/as serão beneficiados com passagem aérea de ida e volta, com bolsa mensal durante um ano (podendo ser renovada), seguro saúde, auxílio para despesas educacionais e curso intensivo de alemão. A documentação deve ser enviada para a Fundação Konrad Adenauer no Rio de Janeiro até o dia 11 de março. Ficou interessado/a? Então acesse o site para mais informações: http://www.kas.de/brasilien/pt/pages/7648/
América Latina
Na Venezuela, o Ministério do Poder Popular para a Cultura está convocando obras publicadas durante o ano de 2011, em idioma espanhol, para concorrerem ao Prêmio Libertador ao Pensamento Crítico, com o objetivo de fortalecer o pensamento alternativo e crítico. Os/as interessados/as têm até o dia 15 de abril para se inscreverem. Para saber mais, acesse: http://www.ministeriodelacultura.gob.ve/images/stories/Bases_Libertador_2012.jpg
Karol Assunção e Tatiana Félix
Jornalistas da Adital
Adital
Brasil - SP: Projeto Televisivo e curso profissionalizante estão recebendo inscrições
Se você tem entre 14 e 18 anos, está cursando o ensino médio em São Paulo (SP) e tem interesse em desenvolver um programa televisivo, pode se inscrever no projeto Quarto Mundo, até o próximo domingo (4).
Realizado pela TV USP (Universidade de São Paulo) em parceira com a ONG Viração Educomunicação, o projeto apoia programas de televisão feitos por jovens. Os/as integrantes desta iniciativa participam desde a elaboração da pauta do programa até a produção, gravação e roteirização. Quer participar? Então acesse: http://quartomundotvusp.blogspot.com/
Ainda em São Paulo, jovens com mais de 16 anos de idade, que possuem o ensino fundamental completo, têm a oportunidade de se preparar para o mercado de trabalho, fazendo a inscrição para o Curso de Profissionalização e Capacitação para o Mercado de Trabalho. A atividade tem o objetivo de contribuir para a preparação de jovens de baixa renda para o concorrido mercado de trabalho.
As inscrições podem ser feitas até o dia 23 de março na sede da Unidade Avançada de Extensão da Universidade Federal de São Paulo em Santo Amaro – Unifesp (Rua Padre José Maria, 545 – Santo Amaro - São Paulo) ou através do endereço eletrônico: http://www.proex.unifesp.br/santoamaro/projetos/pirado/pirado-inscricao
O curso é promovido pelo Projeto de Integração e Reintegração para o Adolescente e Adulto para o Desenvolvimento Ocupacional (Pirado), projeto de extensão Unifesp. As aulas começarão no dia 31 de março e terminarão no dia 15 de dezembro, sempre ocorrendo aos sábados, das 9h às 13h.
Aproveite esta oportunidade, acessando: http://www.proex.unifesp.br/santoamaro/
RJ: Festival Curta Vila Kennedy recebe inscrições de vídeos até dia 13
No Rio de Janeiro (RJ), o Festival Curta Vila Kennedy recebe, até o próximo dia 13 de março, inscrições de filmes e vídeos para a exibição no evento, que acontecerá entre os dias 16 e 18 de março no Teatro Mário Lago (Rua Jaime Redondo, nº 2 – Vila Kennedy).
De acordo com o regulamento, o Curta Vila Kennedy tem "o propósito de despertar o interesse pelo cinema amador” e estimular a criação e produção audiovisual realizada por jovens de áreas periféricas do estado. Para saber mais, acesse o regulamento em: http://curtavk.blogspot.com/
GO: II Anápolis Festival de Cinema recebe inscrições para oficinas
Já em Goiás, estado do Centro-Oeste brasileiro, os/as jovens podem participar de oficinas de Cinema & Filosofia e Produção de Cinema Digital de Baixo Custo do II Anápolis Festival de Cinema, que está com inscrições abertas. Para se inscrever basta acessar o formulário disponível no site do evento e ficar atento às datas: http://www.anapolis.go.gov.br/anapolisfestivaldecinema/
As inscrições para a oficina de Cinema & Filosofia estão abertas até o dia 15 de março. A atividade acontecerá entre os dias 16 e 18, no auditório da Escola de Música de Anápolis. Já a oficina de Produção de Curta Digital recebe inscrições até o dia 18 de março. A atividade ocorrerá entre os dias 20 e 25, também no auditório da Escola de Música.
Oportunidade de estudo no exterior
E para quem deseja estudar no exterior, a Fundação Konrad Adenauer está oferecendo bolsas de estudo de pós-graduação na Alemanha. A iniciativa tem foco nos estudantes brasileiros de diversas áreas acadêmicas que integram o sistema universitário alemão. Para participar é necessário ter no máximo 30 anos, conhecimentos do idioma alemão e bom desempenho escolar.
Os/as selecionados/as serão beneficiados com passagem aérea de ida e volta, com bolsa mensal durante um ano (podendo ser renovada), seguro saúde, auxílio para despesas educacionais e curso intensivo de alemão. A documentação deve ser enviada para a Fundação Konrad Adenauer no Rio de Janeiro até o dia 11 de março. Ficou interessado/a? Então acesse o site para mais informações: http://www.kas.de/brasilien/pt/pages/7648/
América Latina
Na Venezuela, o Ministério do Poder Popular para a Cultura está convocando obras publicadas durante o ano de 2011, em idioma espanhol, para concorrerem ao Prêmio Libertador ao Pensamento Crítico, com o objetivo de fortalecer o pensamento alternativo e crítico. Os/as interessados/as têm até o dia 15 de abril para se inscreverem. Para saber mais, acesse: http://www.ministeriodelacultura.gob.ve/images/stories/Bases_Libertador_2012.jpg
Karol Assunção e Tatiana Félix
Jornalistas da Adital
Adital
Pedro Casaldáliga. A vida do bispo dos pobres em seriado de TV
Sexta-feira, 2 de março de 2012 - 12h00min
por Instituto Humanitas Unisinos (IHU)
Toto: Pedro LIma
O bispo emérito de São Félix do Araguaia (Brasil), bispo dos pobres e dos sem-terras, Pedro Casaldáliga, terá sua série de televisão. Trata-se de "Descalzo sobre la tierra roja" (Descalço sobre a terra vermelha, em catalão), baseado no romance homônimo do jornalista Francesc Escribano, que começará a gravação na primavera e será transmitida na TVE e TV3.
A reportagem é de Jésus Bastante e está publicada no sítio Religión Digital, 29-02-2012. A tradução é do Cepat.
O papel do missionário catalão será interpretado por Eduard Fernández, que visitou ao prelado na Amazônia, há alguns meses, para conhecê-lo pessoalmente. A série será co-produzida pela TVC, TVE, Minoria Absoluta, Raiz Produções Cinematográficas e TV Brasil.
Em 16 de fevereiro passado, Pedro Casaldáliga completou 84 anos. Nascido em 1928, foi ordenado sacerdote em 31de maio de 1952, unindo-se aos claretianos. Em junho de 1968, mudou-se como missionário para o estado do Mato Grosso, no Brasil. Em 23 de outubro de 1971 foi ordenado bispo de São Félix do Araguaia.
A diocese era uma das mais extensas do país, ocupando uma área de aproximadamente 150.000 Km2, habitada em sua maior parte por indígenas e terratenentes assim como o regime militar existente no Brasil naquele momento. João Bosco, seu vigário, foi assassinado por matadores que o confundiram com o próprio Casaldáliga (1977). Nesses momentos, recebeu total apoio do Vaticano, especialmente do papa Paulo VI, mas nem sempre seria assim.
Mesmo que jamais tenha regressado para a Espanha, sempre se mostrado resistente a viajar por medo de não poder entrar novamente no Brasil, em 1985 realizou uma polêmica visita a Nicarágua. Casaldáliga foi até esse país para apresentar sua solidariedade aos religiosos nicaraguenses. Em 1988 viajou até o Vaticano e foi recebido em audiência pelo Papa. A visita não foi plenamente satisfatória e, alguns meses mais tarde, recebeu uma séria advertência da Santa Sé que criticou seu apoio à causa sandinista e à teologia da libertação.
Ao completar os 75 anos, Casaldáliga lembrou-se do Vaticano que - como todos os bispos ao chegar a essa idade - tinha que apresentar sua renúncia. O religioso decidiu permanecer na diocese que dirigiu durante mais de 35 anos, reinvidicando a participação da comunidade na eleição de seu sucessor, embora a Santa Sé lhe tenha recomendado deixar o país. Há algum tempo enfermo de Parkinson, Pedro Casaldáliga não quis abandonar a luta pela defesa dos direitos dos menos favorecidos.
por Instituto Humanitas Unisinos (IHU)
Toto: Pedro LIma
O bispo emérito de São Félix do Araguaia (Brasil), bispo dos pobres e dos sem-terras, Pedro Casaldáliga, terá sua série de televisão. Trata-se de "Descalzo sobre la tierra roja" (Descalço sobre a terra vermelha, em catalão), baseado no romance homônimo do jornalista Francesc Escribano, que começará a gravação na primavera e será transmitida na TVE e TV3.
A reportagem é de Jésus Bastante e está publicada no sítio Religión Digital, 29-02-2012. A tradução é do Cepat.
O papel do missionário catalão será interpretado por Eduard Fernández, que visitou ao prelado na Amazônia, há alguns meses, para conhecê-lo pessoalmente. A série será co-produzida pela TVC, TVE, Minoria Absoluta, Raiz Produções Cinematográficas e TV Brasil.
Em 16 de fevereiro passado, Pedro Casaldáliga completou 84 anos. Nascido em 1928, foi ordenado sacerdote em 31de maio de 1952, unindo-se aos claretianos. Em junho de 1968, mudou-se como missionário para o estado do Mato Grosso, no Brasil. Em 23 de outubro de 1971 foi ordenado bispo de São Félix do Araguaia.
A diocese era uma das mais extensas do país, ocupando uma área de aproximadamente 150.000 Km2, habitada em sua maior parte por indígenas e terratenentes assim como o regime militar existente no Brasil naquele momento. João Bosco, seu vigário, foi assassinado por matadores que o confundiram com o próprio Casaldáliga (1977). Nesses momentos, recebeu total apoio do Vaticano, especialmente do papa Paulo VI, mas nem sempre seria assim.
Mesmo que jamais tenha regressado para a Espanha, sempre se mostrado resistente a viajar por medo de não poder entrar novamente no Brasil, em 1985 realizou uma polêmica visita a Nicarágua. Casaldáliga foi até esse país para apresentar sua solidariedade aos religiosos nicaraguenses. Em 1988 viajou até o Vaticano e foi recebido em audiência pelo Papa. A visita não foi plenamente satisfatória e, alguns meses mais tarde, recebeu uma séria advertência da Santa Sé que criticou seu apoio à causa sandinista e à teologia da libertação.
Ao completar os 75 anos, Casaldáliga lembrou-se do Vaticano que - como todos os bispos ao chegar a essa idade - tinha que apresentar sua renúncia. O religioso decidiu permanecer na diocese que dirigiu durante mais de 35 anos, reinvidicando a participação da comunidade na eleição de seu sucessor, embora a Santa Sé lhe tenha recomendado deixar o país. Há algum tempo enfermo de Parkinson, Pedro Casaldáliga não quis abandonar a luta pela defesa dos direitos dos menos favorecidos.
domingo, 4 de março de 2012
Ciclovia Já: ciclistas se mobilizam por mais estrutura para bicicletas em Mato Grosso
Quem já enfrentou o trânsito de uma cidade pedalando uma bicicleta sabe bem o quanto uma ciclovia faz falta: motoristas que não respeitam a distância mínima ao ultrapassar ciclistas, portas de carros abertas e buracos nas vias são apenas alguns desafios. É justamente para garantir uma pedalada mais segura que ciclistas de Cuiabá (Mato Grosso) elaboraram um projeto de iniciativa popular com o objetivo de garantir uma ciclovia na cidade.
A iniciativa começou em outubro do ano passado com o grupo Ciclovia Já. De acordo com a cicloativista Malu Brandão, a ideia do grupo nasceu com a intenção de divulgar a bicicleta como meio de transporte. "A gente se reúne para debater, discutir, como fazer para chegar ao poder público”, comenta.
Um passo importante para o incentivo do uso da bike é garantir uma infraestrutura adequada para os/as ciclistas. "A cidade precisa de transformação [na área de] mobilidade urbana”, ressalta, destacando que Cuiabá possui apenas "23 quilômetros de ciclovias e muito mal feitas”.
E foi para garantir a inclusão da bicicleta como meio de transporte em Cuiabá e Várzea Grande que o grupo elaborou o projeto de lei de iniciativa popular denominado "Lei da Mobilidade Urbana Sustentável” ou somente "Lei da Bicicleta”. O documento determina que "5% das vias urbanas serão destinadas a construção de ciclofaixas e ciclovias” integrando a bicicleta ao transporte coletivo. Além disso, destaca a necessidade de estacionamentos ou bicicletários em prédios públicos e estabelecimentos comerciais como supermercados e shoppings.
"Conscientes da problemática ambiental e do caos no transporte público, percebemos o quão necessário são as Ciclovias e as Ciclofaixas em todos os Corredores Viários e Vias Estruturais previsto no Plano de Mobilidade para a Copa 2014. Encorajamos o Poder Público municipal e estadual nas suas esferas Legislativa e Executivo a implantar e implementar uma política efetiva e permanente de inclusão da bicicleta como um meio de transporte”, apresenta a justificativa da petição.
Para que o abaixo-assinado do grupo seja validado como projeto de iniciativa popular, o documento precisa apresentar 17 mil assinaturas de pessoas que possuam o título de eleitor/a do estado do Mato Grosso. Até o início da tarde desta quarta-feira (29), 979 pessoas já haviam assinado a petição online pelo endereço: http://www.peticaopublica.com.br/?pi=LB2011
Malu Brandão lembra que qualquer pessoa ou grupo pode elaborar um projeto de lei de iniciativa popular e se mobilizar para validá-lo. "Seria legal que cada cidade também criasse a sua [petição] para ciclovias. Precisamos de mais ciclovias no país”, comenta, destacando ainda a falta de incentivo do uso da bicicleta por parte do governo.
Ciclovias
A demanda de ciclistas por mais espaços exclusivos para bicicletas não é por acaso. A cicloativista Malu Brandão observa que o Brasil ainda possui poucas ciclovias. Observação que pode ser constatada em números. Segundo informações do Portal Mobilize Brasil, a cidade com maior extensão de ciclovias no país é o Rio de Janeiro, com 240 km. A intenção da prefeitura é que a extensão da ciclovia na cidade chegue a 300 km ainda neste ano. Em comparação, a cidade de Bogotá, na Colômbia – para continuar na América Latina -, possui mais de 350 km para as bikes.
Karol Assunção
Jornalista da Adital
Adital
A iniciativa começou em outubro do ano passado com o grupo Ciclovia Já. De acordo com a cicloativista Malu Brandão, a ideia do grupo nasceu com a intenção de divulgar a bicicleta como meio de transporte. "A gente se reúne para debater, discutir, como fazer para chegar ao poder público”, comenta.
Um passo importante para o incentivo do uso da bike é garantir uma infraestrutura adequada para os/as ciclistas. "A cidade precisa de transformação [na área de] mobilidade urbana”, ressalta, destacando que Cuiabá possui apenas "23 quilômetros de ciclovias e muito mal feitas”.
E foi para garantir a inclusão da bicicleta como meio de transporte em Cuiabá e Várzea Grande que o grupo elaborou o projeto de lei de iniciativa popular denominado "Lei da Mobilidade Urbana Sustentável” ou somente "Lei da Bicicleta”. O documento determina que "5% das vias urbanas serão destinadas a construção de ciclofaixas e ciclovias” integrando a bicicleta ao transporte coletivo. Além disso, destaca a necessidade de estacionamentos ou bicicletários em prédios públicos e estabelecimentos comerciais como supermercados e shoppings.
"Conscientes da problemática ambiental e do caos no transporte público, percebemos o quão necessário são as Ciclovias e as Ciclofaixas em todos os Corredores Viários e Vias Estruturais previsto no Plano de Mobilidade para a Copa 2014. Encorajamos o Poder Público municipal e estadual nas suas esferas Legislativa e Executivo a implantar e implementar uma política efetiva e permanente de inclusão da bicicleta como um meio de transporte”, apresenta a justificativa da petição.
Para que o abaixo-assinado do grupo seja validado como projeto de iniciativa popular, o documento precisa apresentar 17 mil assinaturas de pessoas que possuam o título de eleitor/a do estado do Mato Grosso. Até o início da tarde desta quarta-feira (29), 979 pessoas já haviam assinado a petição online pelo endereço: http://www.peticaopublica.com.br/?pi=LB2011
Malu Brandão lembra que qualquer pessoa ou grupo pode elaborar um projeto de lei de iniciativa popular e se mobilizar para validá-lo. "Seria legal que cada cidade também criasse a sua [petição] para ciclovias. Precisamos de mais ciclovias no país”, comenta, destacando ainda a falta de incentivo do uso da bicicleta por parte do governo.
Ciclovias
A demanda de ciclistas por mais espaços exclusivos para bicicletas não é por acaso. A cicloativista Malu Brandão observa que o Brasil ainda possui poucas ciclovias. Observação que pode ser constatada em números. Segundo informações do Portal Mobilize Brasil, a cidade com maior extensão de ciclovias no país é o Rio de Janeiro, com 240 km. A intenção da prefeitura é que a extensão da ciclovia na cidade chegue a 300 km ainda neste ano. Em comparação, a cidade de Bogotá, na Colômbia – para continuar na América Latina -, possui mais de 350 km para as bikes.
Karol Assunção
Jornalista da Adital
Adital
Relatório da Campanha Mundial da Educação ressalta discriminação de gênero na educação
Nesta quarta-feira (29), a Campanha Mundial pela Educação (CME) apresentou ao Comitê sobre a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres (Cedaw) o relatório inédito A Discriminação de Gênero na Educação: Violação dos direitos das mulheres e meninas. Baseado em dados, estudos de casos e em uma pesquisa mundial sobre a discriminação de gênero nas escolas, o documento mostra os desafios para se alcançar a igualdade entre homens e mulher no acesso à educação.
Um dos principais objetivos deste relatório é mostrar ao Cedaw a necessidade urgente de chamar atenção para a falta de oportunidades iguais para meninos e meninas quando o assunto é acesso ao ensino e conseguir superar este problema.
Nos últimos anos, a quantidade de meninas e adolescentes matriculadas na escola aumentou, contudo, o fato não é motivo de grandes comemorações, pois isto não garante que os gêneros têm as mesmas oportunidades educativas e muito menos que a discriminação foi superada. Ao mesmo tempo em que elas estão tendo mais acesso à escola, também têm maior probabilidade de deixar os estudos antes de completar a educação primária.
Segundo informações de 2011 da Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (Unesco), 53% das pessoas em idade escolar que não estão matriculadas são do sexo feminino, o que significa que cerca de seis milhões de mulheres e meninas estão fora da escola. O relatório também revela que, na Bolívia, 30% das adultas não sabem ler ou escrever, contra 5% dos homens. CME também mostra que 94% das meninas estão matriculadas em séries da educação primária, mas apenas 69% estão matriculadas na educação secundária.
Não poder ir à escola não é o único problema enfrentado por mulheres e meninas. Campanha Mundial pela Educação alerta para a reprodução dos estereótipos de gênero nos materiais de estudo, no currículo e no próprio ambiente escolar, assim como para a violência, os abusos e a exploração.
As estudantes são as principais vítimas de violência sexual nas escolas. Equador, Colômbia e México publicaram estudos recentes em que denunciam a gravidade da situação. Na cidade colombiana de Bogotá, a violência sexual cresceu 138% de 2004 a 2008. A Promotoria do país recebeu 542 denúncias por maus-tratos e abusos sexuais cometidos em escolas públicas. Apenas 32 casos foram resolvidos.
Na cidade do México, de 2001 a 2010 foram realizadas 3.242 denúncias na Unidade para a Atenção do Maltrato e Abuso Sexual Infantil (Uamasi). 85,78% dos casos foram praticados por profissionais da escola (diretores, professores, administrados e empregados) e 15% são denúncias de abuso ou assédio sexual. No Equador, uma em cada quatro estudantes já sofreu abuso sexual. Os agressores são, na maioria das vezes, professores, companheiros de sala e vizinhos.
As meninas são preteridas também quando o assunto é pagar por educação. O relatório apresentado ao Comitê aponta que, quando as famílias são obrigadas a escolher, preferem pagar para que os meninos estudem. "O dado sugere que ainda predomina a ideia de que é mais importante educar aos homens e que as mulheres devem ficar em casa cuidando de seus irmãos e fazendo tarefas domésticas”.
Falta de liberdade, discriminação de gênero mais intensa nas zonas rurais, discriminação contra adolescentes grávidas e casamentos precoces também são temas abordados no relatório e que merecem atenção para que se consiga eliminar as desigualdades de gênero na educação em todo o mundo.
Várias informações do relatório sobre discriminação de gênero na educação foram coletadas pela CME por meio de uma pesquisa que já entrevistou 509 estudantes e 250 professores/as. Ainda é possível responder até maio. O questionário está no link: http://www.campanaderechoeducacion.org/sam2011/entre-en-accion/.
Natasha Pitts
Jornalista da Adital
Adital
Um dos principais objetivos deste relatório é mostrar ao Cedaw a necessidade urgente de chamar atenção para a falta de oportunidades iguais para meninos e meninas quando o assunto é acesso ao ensino e conseguir superar este problema.
Nos últimos anos, a quantidade de meninas e adolescentes matriculadas na escola aumentou, contudo, o fato não é motivo de grandes comemorações, pois isto não garante que os gêneros têm as mesmas oportunidades educativas e muito menos que a discriminação foi superada. Ao mesmo tempo em que elas estão tendo mais acesso à escola, também têm maior probabilidade de deixar os estudos antes de completar a educação primária.
Segundo informações de 2011 da Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (Unesco), 53% das pessoas em idade escolar que não estão matriculadas são do sexo feminino, o que significa que cerca de seis milhões de mulheres e meninas estão fora da escola. O relatório também revela que, na Bolívia, 30% das adultas não sabem ler ou escrever, contra 5% dos homens. CME também mostra que 94% das meninas estão matriculadas em séries da educação primária, mas apenas 69% estão matriculadas na educação secundária.
Não poder ir à escola não é o único problema enfrentado por mulheres e meninas. Campanha Mundial pela Educação alerta para a reprodução dos estereótipos de gênero nos materiais de estudo, no currículo e no próprio ambiente escolar, assim como para a violência, os abusos e a exploração.
As estudantes são as principais vítimas de violência sexual nas escolas. Equador, Colômbia e México publicaram estudos recentes em que denunciam a gravidade da situação. Na cidade colombiana de Bogotá, a violência sexual cresceu 138% de 2004 a 2008. A Promotoria do país recebeu 542 denúncias por maus-tratos e abusos sexuais cometidos em escolas públicas. Apenas 32 casos foram resolvidos.
Na cidade do México, de 2001 a 2010 foram realizadas 3.242 denúncias na Unidade para a Atenção do Maltrato e Abuso Sexual Infantil (Uamasi). 85,78% dos casos foram praticados por profissionais da escola (diretores, professores, administrados e empregados) e 15% são denúncias de abuso ou assédio sexual. No Equador, uma em cada quatro estudantes já sofreu abuso sexual. Os agressores são, na maioria das vezes, professores, companheiros de sala e vizinhos.
As meninas são preteridas também quando o assunto é pagar por educação. O relatório apresentado ao Comitê aponta que, quando as famílias são obrigadas a escolher, preferem pagar para que os meninos estudem. "O dado sugere que ainda predomina a ideia de que é mais importante educar aos homens e que as mulheres devem ficar em casa cuidando de seus irmãos e fazendo tarefas domésticas”.
Falta de liberdade, discriminação de gênero mais intensa nas zonas rurais, discriminação contra adolescentes grávidas e casamentos precoces também são temas abordados no relatório e que merecem atenção para que se consiga eliminar as desigualdades de gênero na educação em todo o mundo.
Várias informações do relatório sobre discriminação de gênero na educação foram coletadas pela CME por meio de uma pesquisa que já entrevistou 509 estudantes e 250 professores/as. Ainda é possível responder até maio. O questionário está no link: http://www.campanaderechoeducacion.org/sam2011/entre-en-accion/.
Natasha Pitts
Jornalista da Adital
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