A alta comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural em Portugal destacou hoje o papel da Igreja no “processo de socialização” e na criação de novos caminhos para as comunidades ciganas
Rosário Farmhouse enviou uma mensagem aos participantes no encontro do Comité Católico Internacional para os Ciganos, reunido em Fátima até domingo.
“Numa altura em que o mundo está a ser abalado por conflitos, desigualdades gritantes e incompreensões, este será um momento apaziguador e de reflexão profunda sobre os que nos rodeiam e que merecem a nossa solidariedade e respeito”, refere o documento enviado à Agência Ecclesia.
A responsável manifestou o seu “apreço por esta iniciativa que promove não só a união espiritual, como congrega homens e mulheres vindos de vários locais e com diversas origens, movidos por um objetivo comum”.
“A realização deste encontro em Fátima, solo sagrado, e a mobilização de todos numa oração universal, na Capelinha das Aparições, trará seguramente consigo o renovar da esperança num futuro mais promissor para todos e reforçará a capacidade de compaixão que nos aproxima dos que mais precisam de nós”, assinala a alta comissária, comentando o gesto que marcou o início da iniciativa, no Santuário católico.
Segundo Rosário Farmhouse, este encontro, “cuja partilha com ciganos tão diversos, mas tão semelhantes nos seus anseios, nas suas fragilidades e forças, trará um enriquecimento e uma nova luz para a construção de uma sociedade mais justa e solidária”.
O Comité Católico Internacional para os Ciganos vai juntar no Santuário mariano diversos representantes europeus, com a presença do presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, D. Jorge Ortiga; do bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto; e do diretor da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos, frei Francisco Sales.
A iniciativa tem o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e durante os trabalhos vai ser lida uma mensagem do Conselho Pontifício da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes (CPPMI), organismo da Santa Sé.
Entre as principais matérias que irão ser abordadas, destaque para o papel dos cristãos 'frente a uma sociedade cada vez mais estruturada, mas que cria marginalidade', matéria que vai ser abordada pelo economista João César das Neves.
O Comité Católico Internacional para os Ciganos, com sede na Bélgica, foi criado em 1976 para promover o debate entre as comunidades ciganas e atender às suas necessidades humanas e espirituais.
Desde o seu início, aquele organismo, atualmente com cerca de 50 elementos vindos de 14 países, trabalha em proximidade com a Igreja Católica, especialmente através do CPPMI e das capelanias nacionais ligadas aos ciganos e migrantes.
O encontro de Fátima vai concluir-se com uma missa presidida por D. Joaquim Mendes, bispo auxiliar de Lisboa e vogal da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana.
sábado, 24 de março de 2012
sexta-feira, 23 de março de 2012
OIM: Migração na América do Sul deve superar saída para Europa e EUA
O diretor da Organização Internacional de Migração (OIM) para América do Sul, o uruguaio Juan Artola, disse que existe hoje uma tendência a maior migração regional e, ao mesmo tempo, tendência ao menor fluxo de emigrantes sul-americanos para os países da Europa e dos Estados Unidos.
“É uma tendência que ocorre por um conjunto de fatores, que inclui maiores oportunidades na América do Sul num momento em que ficou mais difícil conseguir trabalho e a chance de imigrar para a Europa e para os Estados Unidos”, disse Artola em entrevista à BBC Brasil.
Segundo ele, nos últimos anos aumentou a migração intra-regional na Argentina, Brasil e, em certa medida, também no Chile e no Uruguai.
Todos absorveram mão-de-obra regional, de acordo com o diretor da OIM.
Artola observou que o crescimento econômico registrado na última década nos países da América do Sul e a facilitação para conseguir documentos de residência contribuíram para esta migração intra-regional.
“Essa imigração intra-regional é um fato inédito nos últimos 30 ou 40 anos, mas coincide com o crescimento econômico e o impulso do processo de integração do Mercosul e da Aladi (Associação Latino-Americana de Integração)”, disse.
Menos burocracia
O diretor da OIM lembrou que nos últimos anos os trâmites burocráticos para um imigrante se estabelecer no país vizinho foram simplificados a partir de acordos do Mercosul e da Aladi.
“Estes fatores, somados ao problema do emprego na União Europeia e nos Estados Unidos, fizeram com que muitos imigrantes preferissem um país da região. Seja pela oportunidade ou pela distância”, afirmou.
Para ele, apesar da desaceleração de algumas economias regionais em 2011 e a perspectiva deste ritmo continuar em 2012, este fluxo de migração intra-regional não deverá ser afetado.
“Não percebemos que esta tendência vai diminuir. Ao contrário”, disse.
Jovens
Nos últimos dez anos, cerca de 700 mil sul-americanos migraram para um país da própria região. Deste total, 500 mil mudaram-se para a Argentina na última década.
“Meio milhão de paraguaios, bolivianos e peruanos chegaram à Argentina em busca de oportunidades. Hoje, a população total de imigrantes representa aproximadamente 4,5% da população nacional argentina”, disse.
Leia a matéria completa em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/03/120319_imigracao_mc_ac.shtml
“É uma tendência que ocorre por um conjunto de fatores, que inclui maiores oportunidades na América do Sul num momento em que ficou mais difícil conseguir trabalho e a chance de imigrar para a Europa e para os Estados Unidos”, disse Artola em entrevista à BBC Brasil.
Segundo ele, nos últimos anos aumentou a migração intra-regional na Argentina, Brasil e, em certa medida, também no Chile e no Uruguai.
Todos absorveram mão-de-obra regional, de acordo com o diretor da OIM.
Artola observou que o crescimento econômico registrado na última década nos países da América do Sul e a facilitação para conseguir documentos de residência contribuíram para esta migração intra-regional.
“Essa imigração intra-regional é um fato inédito nos últimos 30 ou 40 anos, mas coincide com o crescimento econômico e o impulso do processo de integração do Mercosul e da Aladi (Associação Latino-Americana de Integração)”, disse.
Menos burocracia
O diretor da OIM lembrou que nos últimos anos os trâmites burocráticos para um imigrante se estabelecer no país vizinho foram simplificados a partir de acordos do Mercosul e da Aladi.
“Estes fatores, somados ao problema do emprego na União Europeia e nos Estados Unidos, fizeram com que muitos imigrantes preferissem um país da região. Seja pela oportunidade ou pela distância”, afirmou.
Para ele, apesar da desaceleração de algumas economias regionais em 2011 e a perspectiva deste ritmo continuar em 2012, este fluxo de migração intra-regional não deverá ser afetado.
“Não percebemos que esta tendência vai diminuir. Ao contrário”, disse.
Jovens
Nos últimos dez anos, cerca de 700 mil sul-americanos migraram para um país da própria região. Deste total, 500 mil mudaram-se para a Argentina na última década.
“Meio milhão de paraguaios, bolivianos e peruanos chegaram à Argentina em busca de oportunidades. Hoje, a população total de imigrantes representa aproximadamente 4,5% da população nacional argentina”, disse.
Leia a matéria completa em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/03/120319_imigracao_mc_ac.shtml
terça-feira, 20 de março de 2012
Novos desafios do ACNUR na Líbia
Trípoli , Líbia, 17 de março de 2012 (ACNUR) - Um ano após o início dos
conflitos que levaram à queda do ditador líbio Muammar Gaddafi, a Líbia
ainda vive uma crise humanitária difícil. Libaneses que se deslocaram
internamente fugidos dos conflitos civis se misturam com refugiados
provenientes da África sub-saariana que, por sua vez, ainda são
confundidos com forças leais à Gadaffi e presos por não possuírem a
documentação necessária.
Nesta situação complexa, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados está
retomando suas atividades no país e aguarda a formalização de um acordo
com as novas autoridades do país para reestabelecer as atividades de
proteção.
Para o representante do ACNUR na Líbia, Emmanuel Gignac, há problemas
de proteção relacionados à migrações mistas e casos potencias de
apatridia entre etnias minoritárias. “No sul, toda a questão de
migrações mistas (pela Líbia e através do Mediterrâneo) para a
Europa está crescendo”, afirma Gignac em entrevista ao editor do site
do ACNUR, Leo Dobbs.
Para Gignac, a tendência é que cada vez mais migrantes e refugiados
entrem no país. De acordo com os dados atuais do ACNUR existem 6.600
refugiados e outros 2.700 solicitantes de refugio, a maioria vive em
Trípoli e outros estão em Misrata e Benghazi - cidades extremamente
afetadas pelos conflitos na Líbia.
Leia os principais pontos da entrevista de Emmanuel Gignac em
www.acnur.org.br.
conflitos que levaram à queda do ditador líbio Muammar Gaddafi, a Líbia
ainda vive uma crise humanitária difícil. Libaneses que se deslocaram
internamente fugidos dos conflitos civis se misturam com refugiados
provenientes da África sub-saariana que, por sua vez, ainda são
confundidos com forças leais à Gadaffi e presos por não possuírem a
documentação necessária.
Nesta situação complexa, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados está
retomando suas atividades no país e aguarda a formalização de um acordo
com as novas autoridades do país para reestabelecer as atividades de
proteção.
Para o representante do ACNUR na Líbia, Emmanuel Gignac, há problemas
de proteção relacionados à migrações mistas e casos potencias de
apatridia entre etnias minoritárias. “No sul, toda a questão de
migrações mistas (pela Líbia e através do Mediterrâneo) para a
Europa está crescendo”, afirma Gignac em entrevista ao editor do site
do ACNUR, Leo Dobbs.
Para Gignac, a tendência é que cada vez mais migrantes e refugiados
entrem no país. De acordo com os dados atuais do ACNUR existem 6.600
refugiados e outros 2.700 solicitantes de refugio, a maioria vive em
Trípoli e outros estão em Misrata e Benghazi - cidades extremamente
afetadas pelos conflitos na Líbia.
Leia os principais pontos da entrevista de Emmanuel Gignac em
www.acnur.org.br.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Diagnóstico Participativo
O Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), em parceria com o ACNUR e com o apoio do CONARE, realizou no dia 9 de março de 2012, uma atividade que mereceu especial atenção, seja porque é a primeira vez que a realiza, seja pela importância que merece no contexto da ação e dos avanços no atendimento a refugiados e refugiadas, bem como nesta causa como um todo.
O encontro foi realizado na Sede do IMDH: Quadra 7, Conj. C, Lote 1 - Vila Varjão71540-400 – Brasília – DF
Introdução
O diagnóstico participativo com as populações beneficiárias (solicitantes de Refúgio, Refugiados, Deslocados) é uma prática proposta pelo ACNUR, voltada, também, de introduzir a estratégia de Transversalidade de Idade, Gênero e Diversidade (“Age, Gender & Diversity Mainstreaming” – AGDM).
O objetivo principal desta atividade é identificar, com a colaboração dos próprios refugiados e refugiadas, necessidades de proteção, de integração, de apoio, de melhoria nas ações em favor dos beneficiários, a fim de desenvolver as respostas necessárias. Destaca-se que tem, também, o objetivo de promover a igualdade de gênero, os direitos de todos os refugiados de todas as idades. Os objetivos específicos são:
• implementar um sistema que amplie a participação dos refugiados no planejamento das atividades;
• reforçar a capacidade operativa, de forma que todo do ACNUR das agências parceiras assumam co-responsavelmente a promoção da igualdade de gênero e os direitos de todos os refugiados;
• operacionalizar a Agenda para a Proteção, com uma abordagem baseada nos direitos e nas comunidades (rights-based e people-oriented).
A iniciativa no IMDH
A proposta foi feita pelo ACNUR ao IMDH em 2011, visando aplicá-la já em 2012. Foi o que ocorreu. Assim, entende-se que esta iniciativa se reveste das características de uma atividade que ocorre pela primeira em nossa entidade.
Participaram do encontro: solicitantes de refúgio, refugiados, refugiadas, funcionários do ACNUR, toda a equipe do IMDH, as Irmãs da Comunidade Madre Assunta, voluntárias do IMDH e um convidado do Instituto de Pesquisas e Estudos Aplicados (IPEA).
Agenda
Hora Atividade Metodologia
14h Chegada ao IMDH Receber os participantes
14h15 Boas vindas, apresentação do diagnóstico, apresentação dos facilitadores, convidados e participantes
Apresentação oral
14h40
Entrevistas/
Trabalho em Grupos Organização em dois grupos: um formado por homens e outro por mulheres e crianças.
17 h Lanche e confraternização
Agradecimento aos participantes Encerra-se o trabalho com os refugiados
17h20
Avaliação dos resultados Reunião IMDH e ACNUR para compartilhar a experiência e discutir os resultados do trabalho
18h Encerramento da Oficina
As atividades foram desenvolvidas com viva participação dos refugiados e refugiadas. Foram apresentadas palavras-chave, para que eles elegessem os temas de seu maior interesse ou necessidade. Os temas foram: saúde, educação, trabalho, moradia, documentação, segurança, discriminação e integração. Cada grupo selecionou ou deu prioridade aos itens de seu maior interesse.
Foi muito rica a reflexão, troca de experiências, e, também, foram levantadas questões sobre itens de fundamental importância para a integração dos refugiados, e que precisam ser mais bem implementados e disponibilizados, seja aos solicitantes de refúgio, seja aos refugiados, por um tempo variável de acordo com as necessidades das pessoas procedentes de diferentes nacionalidades.
Síntese das manifestações dos refugiados e refugiadas participantes:
- Grande reconhecimento pelos serviços e apoio que recebem do IMDH em todos os momentos que buscam algum tipo de orientação ou ajuda;
- Satisfação por parte daqueles que estão trabalhando, seja de maneira autônoma, seja dos que tem emprego fixo; assinalamos que há pessoas trabalhando na informalidade e outros com perspectiva de emprego nos próximos dias;
- Não há problemas com a questão educacional das crianças; quem tem filhos em idade escolar está satisfeito com o atendimento e com a atenção que as escolas dispensam às crianças;
- O acesso aos serviços de saúde não tem sido problema para os participantes; dizem que sempre foram bem atendidos, embora lamentem a demora, às vezes angustiante, para conseguir realizar exames, principalmente quando se trata de algo mais especializado;
- Aqueles que já conseguiram entrar no programa “Minha casa, Minha Vida” estão muito felizes; por outro lado, para os outros, a moradia é um grande problema, uma angústia e um custo muito pesado, além de ser difícil conseguir local para alugar.
-Alguns solicitantes relataram as dificuldades que sentiram nos primeiros meses de sua chegada ao país, pois o idioma diferente e o preconceito restringem o acesso ao mercado de trabalho;
- ressaltaram também dificuldades em conseguir capacitação profissional, tendo em vista que não dispõem de tempo e dinheiro para arcar com os custos dos estudos, o que seria importante para que conseguissem melhores empregos.
- A documentação inicial (carteira de trabalho, CPF) é de fácil acesso, mas há problemas relacionados à validação de diplomas, tanto pela demora para poderem encaminhar este procedimento, quanto pelo custo e pela necessidade de apresentarem vasta documentação e traduções;
- Os refugiados manifestam reiteradamente sua preocupação com a inscrição “refugiado” no documento de identidade, pois lhes gera dificuldades e discriminação, devido, principalmente, ao desconhecimento da população acerca do significado do termo;
- Fica a proposta e o pedido a que se criem mais oportunidades para aprendizagem do português e parcerias para cursos profissionalizantes.
Avaliação final
Apenas algumas palavras para resumir a manifestação geral de satisfação pela oportunidade do encontro, pela convivência, pela riqueza das contribuições, pela confraternização entre refugiados, refugiadas, agentes sociais, funcionários e Irmãs. Todos/as crescemos com a riqueza do/a outro/a e com a coragem daqueles e daquelas que superam toda a dificuldade, superam-se a si mesmos, em nome do bem maior, a vida.
Brasília-DF, 13 de março de 2012
Ir. Rosita Milesi
Diretora
Natalia Medina
Articuladora do evento
O encontro foi realizado na Sede do IMDH: Quadra 7, Conj. C, Lote 1 - Vila Varjão71540-400 – Brasília – DF
Introdução
O diagnóstico participativo com as populações beneficiárias (solicitantes de Refúgio, Refugiados, Deslocados) é uma prática proposta pelo ACNUR, voltada, também, de introduzir a estratégia de Transversalidade de Idade, Gênero e Diversidade (“Age, Gender & Diversity Mainstreaming” – AGDM).
O objetivo principal desta atividade é identificar, com a colaboração dos próprios refugiados e refugiadas, necessidades de proteção, de integração, de apoio, de melhoria nas ações em favor dos beneficiários, a fim de desenvolver as respostas necessárias. Destaca-se que tem, também, o objetivo de promover a igualdade de gênero, os direitos de todos os refugiados de todas as idades. Os objetivos específicos são:
• implementar um sistema que amplie a participação dos refugiados no planejamento das atividades;
• reforçar a capacidade operativa, de forma que todo do ACNUR das agências parceiras assumam co-responsavelmente a promoção da igualdade de gênero e os direitos de todos os refugiados;
• operacionalizar a Agenda para a Proteção, com uma abordagem baseada nos direitos e nas comunidades (rights-based e people-oriented).
A iniciativa no IMDH
A proposta foi feita pelo ACNUR ao IMDH em 2011, visando aplicá-la já em 2012. Foi o que ocorreu. Assim, entende-se que esta iniciativa se reveste das características de uma atividade que ocorre pela primeira em nossa entidade.
Participaram do encontro: solicitantes de refúgio, refugiados, refugiadas, funcionários do ACNUR, toda a equipe do IMDH, as Irmãs da Comunidade Madre Assunta, voluntárias do IMDH e um convidado do Instituto de Pesquisas e Estudos Aplicados (IPEA).
Agenda
Hora Atividade Metodologia
14h Chegada ao IMDH Receber os participantes
14h15 Boas vindas, apresentação do diagnóstico, apresentação dos facilitadores, convidados e participantes
Apresentação oral
14h40
Entrevistas/
Trabalho em Grupos Organização em dois grupos: um formado por homens e outro por mulheres e crianças.
17 h Lanche e confraternização
Agradecimento aos participantes Encerra-se o trabalho com os refugiados
17h20
Avaliação dos resultados Reunião IMDH e ACNUR para compartilhar a experiência e discutir os resultados do trabalho
18h Encerramento da Oficina
As atividades foram desenvolvidas com viva participação dos refugiados e refugiadas. Foram apresentadas palavras-chave, para que eles elegessem os temas de seu maior interesse ou necessidade. Os temas foram: saúde, educação, trabalho, moradia, documentação, segurança, discriminação e integração. Cada grupo selecionou ou deu prioridade aos itens de seu maior interesse.
Foi muito rica a reflexão, troca de experiências, e, também, foram levantadas questões sobre itens de fundamental importância para a integração dos refugiados, e que precisam ser mais bem implementados e disponibilizados, seja aos solicitantes de refúgio, seja aos refugiados, por um tempo variável de acordo com as necessidades das pessoas procedentes de diferentes nacionalidades.
Síntese das manifestações dos refugiados e refugiadas participantes:
- Grande reconhecimento pelos serviços e apoio que recebem do IMDH em todos os momentos que buscam algum tipo de orientação ou ajuda;
- Satisfação por parte daqueles que estão trabalhando, seja de maneira autônoma, seja dos que tem emprego fixo; assinalamos que há pessoas trabalhando na informalidade e outros com perspectiva de emprego nos próximos dias;
- Não há problemas com a questão educacional das crianças; quem tem filhos em idade escolar está satisfeito com o atendimento e com a atenção que as escolas dispensam às crianças;
- O acesso aos serviços de saúde não tem sido problema para os participantes; dizem que sempre foram bem atendidos, embora lamentem a demora, às vezes angustiante, para conseguir realizar exames, principalmente quando se trata de algo mais especializado;
- Aqueles que já conseguiram entrar no programa “Minha casa, Minha Vida” estão muito felizes; por outro lado, para os outros, a moradia é um grande problema, uma angústia e um custo muito pesado, além de ser difícil conseguir local para alugar.
-Alguns solicitantes relataram as dificuldades que sentiram nos primeiros meses de sua chegada ao país, pois o idioma diferente e o preconceito restringem o acesso ao mercado de trabalho;
- ressaltaram também dificuldades em conseguir capacitação profissional, tendo em vista que não dispõem de tempo e dinheiro para arcar com os custos dos estudos, o que seria importante para que conseguissem melhores empregos.
- A documentação inicial (carteira de trabalho, CPF) é de fácil acesso, mas há problemas relacionados à validação de diplomas, tanto pela demora para poderem encaminhar este procedimento, quanto pelo custo e pela necessidade de apresentarem vasta documentação e traduções;
- Os refugiados manifestam reiteradamente sua preocupação com a inscrição “refugiado” no documento de identidade, pois lhes gera dificuldades e discriminação, devido, principalmente, ao desconhecimento da população acerca do significado do termo;
- Fica a proposta e o pedido a que se criem mais oportunidades para aprendizagem do português e parcerias para cursos profissionalizantes.
Avaliação final
Apenas algumas palavras para resumir a manifestação geral de satisfação pela oportunidade do encontro, pela convivência, pela riqueza das contribuições, pela confraternização entre refugiados, refugiadas, agentes sociais, funcionários e Irmãs. Todos/as crescemos com a riqueza do/a outro/a e com a coragem daqueles e daquelas que superam toda a dificuldade, superam-se a si mesmos, em nome do bem maior, a vida.
Brasília-DF, 13 de março de 2012
Ir. Rosita Milesi
Diretora
Natalia Medina
Articuladora do evento
A dor do papa pela morte de 22 crianças belgas Internacionais
Escrito por Fúlvio Costa
Qui, 15 de Março de 2012 09:22
images/stories/slides/bentoxvirezando.jpg
Pêsames no mundo inteiro pelos 28 mortos, entre os quais 22 crianças, no acidente com o ônibus no qual viajavam, ocorrido terça-feira, 13, à noite em um túnel, no sul da Suíça. Uma vigília de oração foi realizada ontem na catedral de Louvain, na Bélgica presidida pelo arcebispo de Malines-Bruxelas, dom André-Joseph Léonard acompanhado pelo Núncio Apostólico na Bélgica, dom Giacinto Berloco. Durante a vigília, foi lida a mensagem de pêsames de Bento XVI às famílias das vítimas e a todas as pessoas envolvidas na tragédia.
O papa reza pelas vítimas e se solidariza com as famílias atingidas pelo acidente de Sierre, cuja dinâmica ainda deve ser esclarecida: problema técnico, erro humano ou mal-estar do motorista. No entanto, certa é a agonia das famílias das 22 crianças que morreram. Uma dor que o bispo de Hasselt, Patrick Hoogmartens, assim expressou depois de encontrá-las:
“Foi um encontro sem muitas palavras, as pessoas choravam... Alguns deles me diziam: “Onde está Deus?”. Eu respondi que a minha certeza é que Deus está presente também neste momento nos seus corações. Espero que a fé possa ajudar os genitores, as famílias e também as duas escolas”.
O primeiro-ministro, Di Rupo decretou dia de luto nacional para recordar as vítimas. Quis, ainda, acompanhar pessoalmente até a Suíça as famílias das crianças envolvidas no acidente. Uma viagem angustiante – definiu o premier. Muitos pais não sabiam o que tinha ocorrido com seus filhos. Depois, à noite todos os feridos, três em estado grave, foram identificados.
Entretanto, o reconhecimento das vítimas será feito provavelmente nesta quinta-feira, antes do transferimento para a Bélgica. Um momento dramático, que as autoridades helvéticas adiaram o quanto possível, preparando os familiares com um grupo de psicólogos.
Alguns genitores, mais fortes, pediram para ver o lugar do acidente na autoestrada A9. Um momento para rezar e colocar no local algumas flores, que se somam a uma rosa branca que um automobilista tinha deixado dentro do túnel, no dia de ontem.
Fonte: Rádio Vaticano
Qui, 15 de Março de 2012 09:22
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Pêsames no mundo inteiro pelos 28 mortos, entre os quais 22 crianças, no acidente com o ônibus no qual viajavam, ocorrido terça-feira, 13, à noite em um túnel, no sul da Suíça. Uma vigília de oração foi realizada ontem na catedral de Louvain, na Bélgica presidida pelo arcebispo de Malines-Bruxelas, dom André-Joseph Léonard acompanhado pelo Núncio Apostólico na Bélgica, dom Giacinto Berloco. Durante a vigília, foi lida a mensagem de pêsames de Bento XVI às famílias das vítimas e a todas as pessoas envolvidas na tragédia.
O papa reza pelas vítimas e se solidariza com as famílias atingidas pelo acidente de Sierre, cuja dinâmica ainda deve ser esclarecida: problema técnico, erro humano ou mal-estar do motorista. No entanto, certa é a agonia das famílias das 22 crianças que morreram. Uma dor que o bispo de Hasselt, Patrick Hoogmartens, assim expressou depois de encontrá-las:
“Foi um encontro sem muitas palavras, as pessoas choravam... Alguns deles me diziam: “Onde está Deus?”. Eu respondi que a minha certeza é que Deus está presente também neste momento nos seus corações. Espero que a fé possa ajudar os genitores, as famílias e também as duas escolas”.
O primeiro-ministro, Di Rupo decretou dia de luto nacional para recordar as vítimas. Quis, ainda, acompanhar pessoalmente até a Suíça as famílias das crianças envolvidas no acidente. Uma viagem angustiante – definiu o premier. Muitos pais não sabiam o que tinha ocorrido com seus filhos. Depois, à noite todos os feridos, três em estado grave, foram identificados.
Entretanto, o reconhecimento das vítimas será feito provavelmente nesta quinta-feira, antes do transferimento para a Bélgica. Um momento dramático, que as autoridades helvéticas adiaram o quanto possível, preparando os familiares com um grupo de psicólogos.
Alguns genitores, mais fortes, pediram para ver o lugar do acidente na autoestrada A9. Um momento para rezar e colocar no local algumas flores, que se somam a uma rosa branca que um automobilista tinha deixado dentro do túnel, no dia de ontem.
Fonte: Rádio Vaticano
Semana de Ação Mundial 2012: ‘Direitos desde o início! Educação e cuidados da primeira infância agora’
Frente à necessidade de priorizar os direitos das crianças na primeira fase da infância, a Semana de Ação Mundial 2012, com o tema: "Direitos desde o início! Educação e cuidados da primeira infância agora”, convoca coligações nacionais de educação, escolas, organizações da sociedade civil e pessoas interessadas no assunto a participarem do evento que acontecerá entre os dias 22 e 28 de abril 2012. As inscrições para as atividades já estão abertas e devem ser feitas através do site: http://www.globalactionweek.org/.
Embora muitos Estados tenham se comprometido com este assunto através de convenções e tratados internacionais, o direito à educação na infância permanece sendo um dos temas mais descuidados em termos de políticas educativas. A partir desse contexto, a Campanha Mundial considera de urgência o desenvolvimento de um programa completo pelos direitos da primeira infância, reconhecer as crianças como sujeitos de direito e proporcionar vivências de plenitude e bem-estar.
O desafio é garantir a atenção necessária às mais de 200 milhões de crianças com menos de cinco anos que ultrapassam essa fase todos os anos sem usufruir de seus direitos infantis. Deste modo elas reduzem a possibilidade de atingir todo o seu potencial e encerrar o ciclo de pobreza e fome dos quais muitas delas são vítimas diariamente. É fundamental que haja um enfoque integral para que seja destinado o direito à educação, bem como uma articulação sobre proteção, saúde e nutrição destas crianças.
A Semana de Ação Mundial 2012 é uma oportunidade tanto de alertar a população sobre os problemas enfrentados pela infância na ausência de seus direitos, quanto uma forma adicional de cobrar dos governos medidas para esta problemática social. Serão exigidos prioridade à Educação e aos Cuidados da Primeira Infância, desenvolvimento do currículo e do corpo docente, a instituição de mecanismos e políticas para o fim da discriminação e o aumento da inversão em educação e cuidados de primeira infância.
A proposta é fazer com que meninos e meninas em creches e escolas de educação inicial, juntamente com a presença dos professores e professoras e pais e mães com a intenção de construir um diálogo colaborativo, participem de atividades e interajam dentro de um espaço lúdico com criação de desenhos, pinturas e fotografias produzidas por eles para relatar sua experiência educativa, estimulando o processo criativo de cada uma das crianças para complementar e melhorar a educação.
Aos demais interessados, há outras formas de participar e divulgar as mensagens da Semana de Ação Social 2012 através da criação de páginas webs ou blogs onde se possam colocar os desenhos e fotografias, como as notícias importantes da SAM, e sobre o tema da primeira infância; procurar diálogos com os departamentos governamentais que se ocupam da primeira infância influenciando para que possam garantir os direitos da infância e trabalhando para estabelecer canais permanentes de participação pública na formulação e na tomada de decisões políticas.
Adital
Embora muitos Estados tenham se comprometido com este assunto através de convenções e tratados internacionais, o direito à educação na infância permanece sendo um dos temas mais descuidados em termos de políticas educativas. A partir desse contexto, a Campanha Mundial considera de urgência o desenvolvimento de um programa completo pelos direitos da primeira infância, reconhecer as crianças como sujeitos de direito e proporcionar vivências de plenitude e bem-estar.
O desafio é garantir a atenção necessária às mais de 200 milhões de crianças com menos de cinco anos que ultrapassam essa fase todos os anos sem usufruir de seus direitos infantis. Deste modo elas reduzem a possibilidade de atingir todo o seu potencial e encerrar o ciclo de pobreza e fome dos quais muitas delas são vítimas diariamente. É fundamental que haja um enfoque integral para que seja destinado o direito à educação, bem como uma articulação sobre proteção, saúde e nutrição destas crianças.
A Semana de Ação Mundial 2012 é uma oportunidade tanto de alertar a população sobre os problemas enfrentados pela infância na ausência de seus direitos, quanto uma forma adicional de cobrar dos governos medidas para esta problemática social. Serão exigidos prioridade à Educação e aos Cuidados da Primeira Infância, desenvolvimento do currículo e do corpo docente, a instituição de mecanismos e políticas para o fim da discriminação e o aumento da inversão em educação e cuidados de primeira infância.
A proposta é fazer com que meninos e meninas em creches e escolas de educação inicial, juntamente com a presença dos professores e professoras e pais e mães com a intenção de construir um diálogo colaborativo, participem de atividades e interajam dentro de um espaço lúdico com criação de desenhos, pinturas e fotografias produzidas por eles para relatar sua experiência educativa, estimulando o processo criativo de cada uma das crianças para complementar e melhorar a educação.
Aos demais interessados, há outras formas de participar e divulgar as mensagens da Semana de Ação Social 2012 através da criação de páginas webs ou blogs onde se possam colocar os desenhos e fotografias, como as notícias importantes da SAM, e sobre o tema da primeira infância; procurar diálogos com os departamentos governamentais que se ocupam da primeira infância influenciando para que possam garantir os direitos da infância e trabalhando para estabelecer canais permanentes de participação pública na formulação e na tomada de decisões políticas.
Adital
Encontro une ativistas pelo direito à cidade em torno do tema ‘Desenvolvimento urbano com igualdade social’
Teve início na tarde de hoje (15) e segue até sábado (17), em São Paulo, sudeste do Brasil, o Encontro Nacional de Reforma Urbana, organizado pelo Fórum Nacional de Reforma Urbana (FNRU). O tema escolhido para pautar os dias de discussões é "Desenvolvimento urbano com igualdade social”. A expectativa é que participem cerca de 300 pessoas de movimentos, organizações, sindicatos e universidades.
De acordo com Evaniza Rodrigues, da União Nacional da Moradia Popular, o encontro vai unir "várias lutas pela reforma urbana e pela qualidade de vida na cidade”. Ela explica que a escolha do tema está relacionada aos investimentos aplicados nas cidades, mas que não chegam para a população mais pobre. O tema também leva em consideração o contexto de obras para a Copa do Mundo de 2014.
"Estão sendo realizados vários investimentos nas cidades, mas não há garantias de melhoria de vida para as pessoas mais pobres. Pelo contrário, elas estão sendo expulsas para lugares mais afastados e sofrendo mais exclusão. Nós queremos sim que as cidades cresçam, mas com inclusão”, aponta.
Como parte das atividades, às 14 horas, uma manifestação pelo direito à cidade seguiu pelo centro de São Paulo. A abertura oficial do Encontro aconteceu às 17h. Na sequência, foi realizada conferência seguida de debate, cujo tema escolhido foi ‘Capitalismo, desenvolvimento urbano e desigualdade social: pelo direito à cidade'.
Amanhã, a programação começa com oficinas sobre direito à cidade/negritude, gênero, habitação, meio ambiente, saneamento, conflitos urbanos, mobilidade e assistência técnica. Acontece também a conferência ‘A força das mobilizações sociais na luta pelo direito à cidade', com a Relatora das Nações Unidas pelo Direito à Moradia, Raquel Rolnik e o Relator Nacional Orlando dos Santos Júnior. Também mesmo será lançada a revista "A liderança feminina nas lutas urbanas - Direito e política no caminho das mulheres”.
O sábado será para sistematizar os debates dos dias anteriores e criar a plataforma de ações. Segundo Evaniza, o documento será constituído por propostas para os movimentos, organizações e demais entidades que lutam por condições de vida digna nas cidades e conterá sugestões de políticas públicas que serão entregues para os ministérios a fim de tentar solucionar os problemas urbanos do país.
Problemas estes que, para a ativista, são gerados por um modelo de planejamento equivocado. "Antes se falava que faltava planejamento para as cidades. Hoje o problema é um modelo de planejamento equivocado, que prioriza o lucro do capital imobiliário em detrimento da cidade para todos e todas. Problemas como moradia e saneamento são originados por uma concentração nas áreas mais ricas, onde estão os empregos, onde as casa não alagam, onde há mais segurança”, critica.
Problemas urbanos
Dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (Pnad) de 2008 apontam que o Brasil tem um déficit habitacional de 5,5 milhões de moradias. Por região, o problema é pior no Amazonas (Norte), Bahia (Nordeste), São Paulo (Sudeste), Rio Grande do Sul (Sul) e Goiás (Centro-Oeste). Apesar das expectativas criadas pelo Programa Minha casa, Minha Vida, que pretende construir três milhões de moradias até 2014, todos os anos centenas de pessoas ficam desabrigadas na quadra chuvosa. De acordo com Secretaria Nacional de Defesa Civil, de novembro de 2010 a março de 2011, 203 mil pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas no país.
O Brasil precisa hoje de três trilhões para construir 23 milhões de moradias até 2022. Em artigo, a Relatora das Nações Unidas pelo Direito à Moradia, Raquel Rolnik, explica que o problema não é o dinheiro, mas sim a "falta de capacidade do atual modelo de desenvolvimento de gerar áreas urbanizadas com qualidade urbanística e acessíveis para a população mais necessitada”.
Com relação a saneamento, o Atlas de Saneamento 2011, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que entre 2000 e 2008 houve avanços na cobertura dos serviços de esgotamento sanitário, coleta seletiva e abastecimento de água, o que quer dizer que mais municípios estão sendo beneficiados pelos serviços. Apesar disso, ainda existem fortes diferenças regionais. Com relação à coleta seletiva de lixo, o serviço, nos últimos anos, estava concentrado no Sul e Sudeste. O Norte e o Nordeste continuam sendo os menos beneficiados. Em cidades destas regiões, problemas básicos como esgotamento sanitário persistem e não melhoraram tanto quanto nas demais regiões do país.
15.03.12 - Brasil
Natasha Pitts
Jornalista da Adital
Adital
De acordo com Evaniza Rodrigues, da União Nacional da Moradia Popular, o encontro vai unir "várias lutas pela reforma urbana e pela qualidade de vida na cidade”. Ela explica que a escolha do tema está relacionada aos investimentos aplicados nas cidades, mas que não chegam para a população mais pobre. O tema também leva em consideração o contexto de obras para a Copa do Mundo de 2014.
"Estão sendo realizados vários investimentos nas cidades, mas não há garantias de melhoria de vida para as pessoas mais pobres. Pelo contrário, elas estão sendo expulsas para lugares mais afastados e sofrendo mais exclusão. Nós queremos sim que as cidades cresçam, mas com inclusão”, aponta.
Como parte das atividades, às 14 horas, uma manifestação pelo direito à cidade seguiu pelo centro de São Paulo. A abertura oficial do Encontro aconteceu às 17h. Na sequência, foi realizada conferência seguida de debate, cujo tema escolhido foi ‘Capitalismo, desenvolvimento urbano e desigualdade social: pelo direito à cidade'.
Amanhã, a programação começa com oficinas sobre direito à cidade/negritude, gênero, habitação, meio ambiente, saneamento, conflitos urbanos, mobilidade e assistência técnica. Acontece também a conferência ‘A força das mobilizações sociais na luta pelo direito à cidade', com a Relatora das Nações Unidas pelo Direito à Moradia, Raquel Rolnik e o Relator Nacional Orlando dos Santos Júnior. Também mesmo será lançada a revista "A liderança feminina nas lutas urbanas - Direito e política no caminho das mulheres”.
O sábado será para sistematizar os debates dos dias anteriores e criar a plataforma de ações. Segundo Evaniza, o documento será constituído por propostas para os movimentos, organizações e demais entidades que lutam por condições de vida digna nas cidades e conterá sugestões de políticas públicas que serão entregues para os ministérios a fim de tentar solucionar os problemas urbanos do país.
Problemas estes que, para a ativista, são gerados por um modelo de planejamento equivocado. "Antes se falava que faltava planejamento para as cidades. Hoje o problema é um modelo de planejamento equivocado, que prioriza o lucro do capital imobiliário em detrimento da cidade para todos e todas. Problemas como moradia e saneamento são originados por uma concentração nas áreas mais ricas, onde estão os empregos, onde as casa não alagam, onde há mais segurança”, critica.
Problemas urbanos
Dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (Pnad) de 2008 apontam que o Brasil tem um déficit habitacional de 5,5 milhões de moradias. Por região, o problema é pior no Amazonas (Norte), Bahia (Nordeste), São Paulo (Sudeste), Rio Grande do Sul (Sul) e Goiás (Centro-Oeste). Apesar das expectativas criadas pelo Programa Minha casa, Minha Vida, que pretende construir três milhões de moradias até 2014, todos os anos centenas de pessoas ficam desabrigadas na quadra chuvosa. De acordo com Secretaria Nacional de Defesa Civil, de novembro de 2010 a março de 2011, 203 mil pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas no país.
O Brasil precisa hoje de três trilhões para construir 23 milhões de moradias até 2022. Em artigo, a Relatora das Nações Unidas pelo Direito à Moradia, Raquel Rolnik, explica que o problema não é o dinheiro, mas sim a "falta de capacidade do atual modelo de desenvolvimento de gerar áreas urbanizadas com qualidade urbanística e acessíveis para a população mais necessitada”.
Com relação a saneamento, o Atlas de Saneamento 2011, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que entre 2000 e 2008 houve avanços na cobertura dos serviços de esgotamento sanitário, coleta seletiva e abastecimento de água, o que quer dizer que mais municípios estão sendo beneficiados pelos serviços. Apesar disso, ainda existem fortes diferenças regionais. Com relação à coleta seletiva de lixo, o serviço, nos últimos anos, estava concentrado no Sul e Sudeste. O Norte e o Nordeste continuam sendo os menos beneficiados. Em cidades destas regiões, problemas básicos como esgotamento sanitário persistem e não melhoraram tanto quanto nas demais regiões do país.
15.03.12 - Brasil
Natasha Pitts
Jornalista da Adital
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