sexta-feira, 25 de março de 2011

SAMU INFORMA: UTILIDADE PÚBLICA‏

As ambulâncias e emergências médicas perceberam que muitas vezes nos acidentes da estrada os feridos têm um celular consigo. No entanto, na hora de intervir com estes doentes, não sabem qual a pessoa a contatar na longa lista de telefones existentes no celular do acidentado.

Para tal, o SAMU lança a ideia de que todas as pessoas acrescentem na sua longa lista de contatos o NUMERO DA PESSOA a contatar em caso de emergência. Tal deverá ser feito da seguinte forma: 'AA Emergencia' (as letras AA são para que apareça sempre este contato em primeiro lugar na lista de contatos).

É simples, não custa nada e pode ajudar muito ao SAMU ou quem nos acuda. Se lhe parecer correta a proposta que lhe fazemos, passe esta mensagem a todos os seus amigos, familiares e conhecidos.

É tão-somente mais um dado que registramos no nosso celular e que pode ser a nossa salvação. Por favor, não destrua esta mensagem! Reenvie-o a quem possa dar-lhe uma boa utilidade.



Márcio dos Santos Barcelos

quarta-feira, 23 de março de 2011

Conflito no leste da Líbia gera milhares de deslocados internos

Conflito no leste da Líbia gera milhares de deslocados internos

SALLUM, Egito, 22 de março de 2011 (ACNUR) - Os conflitos no leste da Líbia entre forças pró-governo e de oposição causaram, nos últimos dias, o deslocamento interno de milhares de libaneses.

Os cidadãos líbios que chegaram recentemente ao posto fronteiriço de Sallum, no Egito, disseram que civis estão buscando abrigo em casas de família, escolas e prédios de universidades. Estima-se que 320 mil pessoas tenham deixado a Líbia nos últimos dias, mas o número de deslocados internos é desconhecido. A maioria dos que saíram são de outros países - apenas um em cada oito é líbio.

Como prover assistência humanitária aos deslocados é desafiador, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) planeja enviar utensílios hoje para Benghazi, a segunda maior cidade do país (atualmente sob o controle da oposição), por meio de um comboio do Programa Mundial de Alimentos. Os itens enviados pelo ACNUR incluem cinco mil cobertores e cinco mil colchões. A região está sofrendo com
falta de medicamentos e itens alimentares básicos, sendo que os preços destes produtos subiram drasticamente.

Leia a íntegra desta notícia em http://www.acnur.org/t3/portugues/
ACNUR Brasil
Assessoria de Comunicação
Fone: (61) 3044.5744
Fax: (61) 3044.5705
e-mail: informacao@unhcr.org

Planeta Terra: consensos

Dom Demétrio Valentini
Bispo de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira
Adital
A Campanha da Fraternidade deste ano está nos motivando para conferir a vida no planeta terra, e auscultar os sinais de alerta que está emitindo.

Como já pudemos constatar, o enfoque central da campanha deste ano está na constatação da imprescindível função do planeta terra para a existência da vida. A vida depende do planeta. As condições de vida do planeta ditam as possibilidades e as condições de vida dos seres vivos que habitam o planeta.

A Campanha aborda o tema pelo caminho dos sintomas, apontando com clareza dois: o aquecimento global e as mudanças climáticas. É compreensível que assim proceda, pois a vida é tão complexa que fica difícil sua abordagem direta. Os sintomas têm a vantagem de captar o que merece mais atenção. Como o médico que se debruça com carinho para auscultar os sinais vitais do paciente, assim somos chamados a fazer diante dos sinais de alerta emitidos pelo planeta.

Ambos suscitam apreensões, e levantam legítimas interrogações, cujas respostas devemos procurar, na medida de nosso alcance.

Mesmo que interrogações continuem, existe um leque de constatações e de indicações, em torno das quais dá para tecer um amplo consenso, muito importante para uma ação articulada e eficaz.

O despertar da consciência ecológica está nos levando a perceber a validade e a sabedoria da primeira recomendação feita à humanidade, de acordo com a linguagem figurativa da Bíblia. Segundo ela, Deus confiou a criação à humanidade, para que a cuidasse e cultivasse.

É muito importante captar bem o significado real desta linguagem figurada. Pois da correta compreensão desta passagem bíblica vai depender a atitude adequada que devemos ter com a natureza.

Pode ser que tenhamos assimilado esta linguagem de maneira equivocada, como se Deus tivesse entregue a criação ao homem para "dominar e explorar a terra”, sem critério, e sem respeito por suas condições de vida.

Em vista desta interpretação equivocada, alguns chegam até a acusar a fé cristã de ter sido a patrocinadora da mentalidade predatória que caracterizou a revolução industrial. Urge explicitar a interpretação verdadeira desta importante passagem bíblica.

Diante da atitude predatória do modelo de desenvolvimento decorrente da revolução industrial, vai se firmando a convicção de que os recursos do planeta são limitados, e precisam ser usados com cuidado e parcimônia, para não desperdiçá-los.

Assim, será preciso cada vez mais superar a cultura do consumismo e do desperdício, pela sobriedade e consciência da preciosidade dos recursos vitais que o planeta nos oferece.

Desta atitude, impregnada de fé e de responsabilidade humana, decorrem muitas posturas concretas, que esta campanha pode incentivar, se estamos dispostos a acolher seus apelos e a nos organizar pessoal e comunitariamente.

São diversas as frentes de ação ecológica que podem nos levar a uma cultura de preservação das condições de vida do planeta. Os cuidados com a água, por sua escassez e preciosidade, a pureza do ar, o cultivo adequado do solo, as medidas de preservação do meio ambiente, tudo isto pode se constituir em motivações consistentes a sustentar uma nova mentalidade.

Sejam como forem as condições do planeta, cuidaremos dele, e saberemos sintonizar nossas atitudes com a dinâmica de vida que rege sua natureza.

O homem mais frágil do mundo

Pe. Alfredo J. Gonçalves
Assessor das Pastorais Sociais.
Adital
O refrão se repete por toda parte. Com letras garrafais na mídia escrita, com certa referência na mídia falada ou televisionada, com certo ar de mistério pelas ruas, botecos, feiras e praças do país: o presidente dos Estados Unidos é o "homem mais poderoso do mundo”. E Barack Obama, com esposa e filhas, desfila entre a capital do Brasil e o Rio de Janeiro com esse qualitativo impresso no cenário coreográfico de sua passagem. Além do mais, com seus discursos aparentemente improvisados, procura esbanjar simpatia e sintonia entre o "povo brasileiro” e o "povo norte-americano”.

A Coluna de Jânio de Freitas desta segunda-feira (FSP, 21/03/2011) abre leve brecha nessa imagem, mais construída que real. Se levarmos em conta a quantidade de policiais e soldados envolvidos na sua proteção; os blindados, helicópteros, carros e motos que acompanham a comitiva, o gigantesco sistema de segurança montado para receber o presidente junto com sua família e sua corte, o jogo espetacular e fantástico do palco onde o ator exibirá seu desempenho (para não falar performance) – então é preciso concluir que estamos diante do "homem mais frágil do mundo”.

Um prisioneiro de um presídio ambulante. Marcado pelo estigma da fobia, não dá um passo, sem que o terreno seja prévia e devidamente inspecionado; não ingere qualquer alimento, sem que tenha passado por uma rigorosa investigação quanto à origem e à preparação; não se desloca, sem a companhia de um batalhão de veículos motorizados e seguranças de estatura avantajada e óculos escuros; não fala, sem que seja atestada absoluto controle em todos os pontos ao alcance de sua voz. Um prisioneiro itinerante, sim, não obstante esteja rodeado de carcereiros de gravata e paletó.

Pobre homem, pobre liberdade! Expõe o medo doentio e mórbido de cada cidadão do mundo rico ou das regiões ricas do mundo pobre. Revela nossas próprias prisões, que insistimos em chamar de casas ou lares, onde nos encarceramos com a família. Habitações em que os muros se levantam cada vez mais altos, grades são chumbadas em suas extremidades, cães de guarda instalados nos jardins, câmeras espalhadas estrategicamente pelos condomínios, ruas, bairros e cidade, aumento do número de policiais privados. Os gastos com sistemas de segurança cada vez mais sofisticados, utilizando tecnologia de ponta, atestam, por um lado, uma fobia que só faz crescer e nos torna reféns de nossos jovens e adolescentes e, por outro, que nos convertemos em carcereiros de nós mesmos. Precisa acrescentar que tudo isso muitas vezes não serve para nada e que os roubos, assaltos e latrocínios registram índices que, ironicamente, parecem progredir na proporção do próprio investimento com segurança?

Voltando à passagem de Barack Obama ao Brasil, sua visita ao mesmo tempo vela e revela que "o rei está nu”, de acordo com a conclusão de Hans Christian Andersen, em A nova roupa do rei. E não só ele, mas todos nós que, diante das notícias diárias e sensacionalistas dos meios de comunicação, recheadas de violência e sangue, tiritamos de medo dentro de nossos lares profusamente revestidos com os artefatos da última moda em conforto e segurança. A sociedade está nua! Tanto mais nua quanto mais carecida de vistosas vestes para proteger-se. O presidente dos Estados Unidos aparece como um símbolo dessa nudez simultaneamente oculta e exposta. O homem mais poderoso da terra é também o mais frágil. O mais necessitado de um exército de homens, olhos eletrônicos e armas que o façam caminhar sem risco. Sua força imperial corresponde a sua fraqueza de homem encarcerado na teia de aranha de um sistema de segurança tão fantástico quanto fóbico.

Nos subterrâneos dessa liberdade prisioneira, desse luxo empobrecido, desse poder débil escondem-se relações socioeconômicas e político-culturais injustas e assimétricas. Mais do que um homem e sua família, o que esse batalhão de policiais e seguranças procura defender é uma ordem mundial que se tornou insustentável. O modelo de senhor e vassalo, império e colônia, Primeiro e Terceiro Mundo, histórica e estruturalmente consolidado e nutrido, agoniza em seu próprio esplendor. Os fogos de artifício sobem e caem com a mesma rapidez. O show pirotécnico dura poucos segundos de luzes, cores e brilho; depois tudo se converte em cinza. As multidões que erguem estátuas são as mesmas que as derrubam com o vento de sua fúria indomada. O herói de hoje costuma ser o vilão de amanhã.

A presença de Obama entre nós ajuda a refletir que não é apenas Muammar Kadaffi que se encontra nu e frágil diante das ondas turbulentas e contraditórias da história. Poder e glória são tão efêmeros quanto a moda e o humor da multidão. A figura do jovial e simpática do presidente dos Estados Unidos, hoje revestido de belas palavras, honras e poder, simboliza um amanhã de silêncio, de indignação e de fragilidade. Enquanto as torrentes subterrâneas da desigualdade socioeconômica, em nível mundial, não forem resolvidas, a calmaria da superfície tende a ser enganosa. Terremotos e tsunamis imprevisíveis ocultam-se por trás da diplomacia elegante, charmosa e sorridente. O ditado popular de que "as aparências enganam” serve como nosso ponto final.

Um convite à ação

Luiza Bairros
Ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
Adital
É fundamental acreditar que a promoção da igualdade racial é condição, e não impedimento, para que o Brasil aprofunde a dinâmica de desenvolvimento O dia 21 de março evoca o massacre ocorrido em Sharpeville, que vitimou dezenas de manifestantes que protestavam contra a lei do passe, limitadora da livre circulação da população negra na África do Sul, no ano de 1960.

O episódio mobilizou a opinião pública mundial e, em 1966, em Brasília, os participantes de seminário promovido pela Organização das Nações Unidas escolheram o dia para ampliar a solidariedade internacional contra o apartheid.

Desde então, a data foi incorporada ao calendário do movimento negro do nosso país, que instava o Brasil a romper relações diplomáticas com o governo sul-africano. Estes esforços de solidariedade culminaram no repúdio ao racismo nas relações internacionais como um dos princípios fundamentais da nossa Constituição Federal de 1988 (Artigo 4º, inciso VII).

Portanto, a criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir/PR), em 21 de março de 2003, inspirou-se em embates históricos que sempre estimularam a luta por direitos de cidadania dos negros brasileiros.

Neste ano de 2011, em que se comemora oito anos de criação da Seppir e dez da 3ª Conferência Mundial contra o Racismo (Durban), outra resolução da assembleia da ONU pode induzir grandes avanços na superação do racismo e das desigualdades raciais.

Trata-se do Ano Internacional dos Afrodescendentes, proclamado com o objetivo de fazer de 2011 um marco no desenvolvimento de ações efetivas, destinadas a assegurar que as populações de ascendência africana "possam gozar plenamente de direitos econômicos, culturais, sociais, civis e políticos".

Tal decisão, apoiada pelo governo brasileiro deve, de fato, ser acolhida por amplos setores da sociedade, assim potencializando as prioridades definidas pela presidente Dilma Rousseff: ao lado da meta de erradicação da pobreza extrema, que penaliza mais a população negra, a melhoria da qualidade da educação, da saúde e da segurança pública, fundamentais na garantia dos direitos de cidadania. Neste ano especial, a Seppir lança uma campanha intitulada "Igualdade racial é pra valer", convocando empresas públicas e privadas, organizações não-governamentais, associações patronais e de trabalhadores, entre outros, a assumir a responsabilidade de fazer da inclusão uma prática permanente.

Por mínima que seja a iniciativa que cada um consiga materializar, em diferentes esferas da vida social, ao final do ano vamos celebrar a verdade de que todos podem contribuir para a superação dos indicadores sociais e econômicos em que se expressa a exclusão de mulheres e homens negros.

Para que todos, sem restrições, sejam motivados a participar ativamente desta campanha, é crucial acreditar que a promoção da igualdade racial é condição, e não impedimento, para que o Brasil aprofunde a dinâmica de desenvolvimento dos últimos anos.

Aderir ao Ano Internacional dos Afrodescendentes com ações concretas implica vencer a inércia, assumir coletivamente responsabilidades, encontrando saídas para as desvantagens sociais resultantes de processos históricos, contribuindo para a construção de um país sem pobreza e desigualdades.

A Seppir, segundo sua missão institucional e como órgão essencial da Presidência da República, coloca-se à disposição dos que se propõem a aderir a esta campanha, dando suporte técnico, apontando fontes de recursos, formulando ideias de fácil execução, que poderão fazer valer a igualdade racial para além de um direito formal.

[Fonte: Folha de São Paulo].

Governo e movimentos reivindicarão a Obama Lei de Imigração ampla

Camila Queiroz
Jornalista da ADITAL
Adital
Em visita à América Latina, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, desembarcará em El Salvador amanhã (23). Na pauta de reivindicações do governo, da Igreja e dos movimentos sociais, o principal ponto é uma lei de imigração ampla, que garanta situação legal aos imigrantes oriundos de El Salvador.

Cerca de 2,8 milhões de salvadorenhos vivem nos Estados Unidos e apenas 217 mil estão amparados pelo Programa de Imigração Temporária (TPS, na sigla em inglês), que lhes permite morar e estudar no país. O programa, lançado em 2001, quando terremotos arrasaram El Salvador, acabará em março de 2012. Os salvadorenhos são o terceiro maior grupo hispânico presente nos EUA, principalmente na capital Washington, e suas remessas constituem em torno de 13% da economia de seu país de origem.

O presidente salvadorenho Mauricio Funes afirmou que na reunião com Obama solicitará residência permanente para os beneficiados do TPS. O chanceler da República, Hugo Martínez, declarou que a intenção do governo é verificar, junto à Obama, a possibilidade de uma reforma imigratória para salvadorenhos que atendam a alguns critérios.

"Estamos pedindo uma solução integral para salvadorenhos com dez anos de vida nos Estados Unidos, com documento de permanência, que paguem seus impostos, respeitem as leis e tenham negócios próprios”, explicou. Apesar de reconhecer que o tema enfrenta oponentes no Congresso estadunidense, Martinez acredita que Obama proporá uma solução.

Para fortalecer o coro, o arcebispo de San Salvador, monsenhor José Luis Escobar Alas, afirmou que a Igreja espera que os Estados Unidos avancem na definição de uma reforma imigratória integral e que isso seja feito na atual gestão.

"Oxalá que esta visita beneficie a nossos irmãos imigrantes, que o tratamento seja mais digno, que não haja leis que os criminalizem injustamente sendo inocentes, somente porque cruzaram a fronteira”, disse.

Durante a campanha presidencial, em 2008, Obama prometeu que, no primeiro ano de mandato, pautaria o debate e a aprovação de uma reforma imigratória ampla. Em entrevista concedida ao site La prensa gráfica, o presidente afirmou que esta "tem sido e continuará sendo uma prioridade de minha gestão”.

Ele classificou o sistema de imigração como "falido”, mas salientou que precisa do apoio do Congresso e do Senado para qualquer reforma. Disse ainda que tem trabalhado para que, por meio de um consenso, seja aprovada uma reforma integral "que honre a história de nosso país de ser uma nação que respeita o Estado de Direito e valoriza a diversidade”.

Além da Lei de Imigração, o mandatário discutirá com o governo de El Salvador temas como segurança, luta contra a pobreza, cooperação econômica e energias renováveis.


Como a lei repercute nos Estados Unidos

O clima para aprovar qualquer reforma imigratória é considerado hostil no país. Entre 2005 e 2010, a lei de reforma imigratória foi debatida pelo menos seis vezes no Congresso estadunidense, sem avanços. Em dezembro do ano passado, o Senado não conseguiu os votos necessários para aprovar uma lei imigratória que beneficiava cerca de 850 mil estudantes em situação irregular.


No ano de 2006, o Comitê de Conferência deveria fazer alterações em um projeto aprobado pelo Comitê Legislativo e em outro projeto do Senado, para transformar tudo em um texto único. Entretanto, a liderança republicana no Senado conseguiu cancelar os trabalhos, argumentando que o projeto poria em risco a segurança nacional.

Estudos da Unesco destacam regulação da mídia no Brasil

Karol Assunção
Jornalista da Adital
Adital
Contribuir com o debate sobre a regulação da mídia e a liberdade de expressão no Brasil. Foi com esse objetivo que a representação no Brasil da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulgou, na quinta-feira passada (17), três novos volumes da "Série Debates em Comunicação e Informação”.

As publicações tratam sobre a regulação da mídia e a liberdade de expressão. Em "O ambiente regulatório para a radiodifusão: Uma pesquisa de melhores práticas para os atores-chave brasileiros”, os especialistas Toby Mendel e Eve Salomon comparam a regulação da mídia de dez países com a brasileira.

Os mesmo autores discutem a política regulatória e o fortalecimento da liberdade de expressão no texto: "Liberdade de expressão e regulação da radiodifusão”. Já no terceiro estudo, "A importância da autorregulação da mídia para a defesa da liberdade de expressão”, Andrew Puddephatt, consultor internacional da Unesco, debate sobre as diferentes questões da autorregulação da mídia.

Jonas Valente, integrante da coordenação-executiva do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, lembra que a Unesco é um organismo com "experiência histórica” na discussão da comunicação em vários países e que tem a intenção de contribuir com o debate no Brasil. "[Os estudos] vêm pontuar que a regulação é fundamental para garantir a liberdade de expressão”, observa.

O membro do Intervozes destaca, por exemplo, algumas recomendações sugeridas pelo organismo internacional nas publicações lançadas na semana passada. Uma delas é o estabelecimento de cotas, que sugere que pelo menos 50% da programação seja de conteúdo nacional, 10% de produção e conteúdo locais e 10% de produção independente.

De acordo com ele, o mecanismo de cotas já é reconhecido internacionalmente, além de ser uma forma de proteger a produção nacional e de promover a diversidade interna do país. "Hoje a comunicação é centrada no eixo Rio-São Paulo”, comenta.

Outro ponto destacado por Valente diz respeito à independência na avaliação de concessão de licenças. O texto da Unesco recomenda a criação de uma "autoridade reguladora independente”, a qual deve oferecer a "decisão final sobre a concessão de licenças”.

De acordo com Valente, o ideal é que a avaliação da concessão seja "transparente e com regras objetivas”. "O debate central não é se a concessão deve ser feita por um ou dois órgãos. A questão central é que se precisa ter critérios objetivos e autonomia para julgar essas autorizações”, ressalta, lembrando que os critérios e julgamentos para as concessões devem ser mais técnicos. Hoje, segundo ele, a questão econômica ainda é destaque nessas autorizações.

O integrante do Coletivo, entretanto, também aponta "ressalvas” nas publicações. Segundo ele, o estudo defende a autorregulação, o que, na opinião de Valente, só deveria ser utilizado no Brasil para determinados casos. Isso porque, na opinião dele, o mercado ainda "acaba não fazendo a autorregulação, não há punição”.

As três publicações da Unesco estão disponíveis em: http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/publications_analyze_media_regulation_and_freedom_of_expression_in_brazil/