segunda-feira, 13 de junho de 2011

Santo Antônio em Pádua, Lisboa e na Praça Patriarca

Por provinciasp, 13 de junho de 2011

Eduardo Gabriel – sociólogo e seminarista scalabriniano.

Sabemos que o nosso querido e devotado Santo Antônio é da ordem franciscana, e que depois de São Francisco, acredito eu, é o santo mais conhecido na história do franciscanismo. Na conferência dos 350 anos de fundação (1606) do convento de Santo Antônio em Recife (PE), comemorada em 1956, o sociólogo Gilberto Freyre fez uma eloqüente argüição sobre a influência religiosa dos franciscanos para o desenvolvimento de uma civilização cristã nos Trópicos, sobretudo no período da colonização portuguesa e espanhola. A publicação das conferências e artigos de Gilberto Freyre sobre a importância dos franciscanos na história do Brasil está reunida num livro do autor pouco conhecido: “A propósito de Frades”, publicado 1959. No texto da conferência, Gilberto Freyre aponta: “São Francisco e Santo Antônio são santos capazes de seduzir não só ortodoxos da fé católica, como todos os homens, cristãos, e quase cristãos”. Este argumento me parece extraordinário para pensar a magnitude da devoção religiosa destes santos que são tão populares como nunca se viu na história do cristianismo.
Qual a peculiaridade de Santo Antônio para a vida cotidiana do brasileiro? O próprio Gilberto Freyre nos aponta: em Santo Antônio “se unem a Igreja e Portugal – as duas forças principais que formaram o Brasil”. È sabido que Santo Antônio nasceu em Lisboa, capital de Portugal. Assim, Santo Antônio é parte integrante da história do Brasil, e nos chega até hoje sendo conhecido como santo dos pobres, santo casamenteiro e santo milagreiro.

Em janeiro de 2007, eu tive a oportunidade de passar por Pádua, na Itália, e conheci a Basílica de Santo Antônio, zelosamente administrada pelos franciscanos conventuais, onde estão os restos mortais do próprio santo. Como não poderia deixar de ser, esta basílica recebe diariamente centenas de peregrinos, devotos e turistas que chegam para reverência a Santo Antônio. Confesso que toda esta dinâmica do sagrado popular foi contagiante. Naquele santuário, tive a sensação do quão popular é realmente a devoção a Santo Antônio. Como eu já havia conhecido o local onde o Santo Antônio está sepultado, não pude deixar de conferir onde ele nasceu. Assim, em junho de 2008, quando estive em formação acadêmica em Portugal, fui participar das festividades de Santo Antônio em Lisboa, onde é feriado municipal o dia 13 de junho. Neste dia, a pequena Igreja de Santo Antônio, reconstruída depois do terremoto de 1755, fica repleta de devotos, que esperam pacientemente longas horas até o andor sair em procissão pelas ruas da cidade. Uma multidão acompanha todo o cortejo ao lado do Santo Antônio, até o encerramento na Sé. Em Lisboa, Santo Antônio é celebrado com grande fervor e penitência pelos fiéis.

Em Pádua, Lisboa e na Praça Patriarca em São Paulo, o catolicismo contido em Santo Antônio parece enfim representar aquilo que Gilberto Freyre resume: “prático, cotidiano, efetivo”. Acredito ser estes três elementos que fazem o Santo Antônio ser tão popular no imaginário das pessoas, capaz de sensibilizar “cristãos”, e também os “quase-cristãos”. A presença dos padres scalabrinianos na igreja Santo Antônio da Praça Patriarca já é centenária. Em 1908, o os padres são convidados a assumirem a capelania da igreja, sendo que parte das ofertas teriam como destino o auxílios aos pobres do orfanato Cristóvão Colombo.

Para a missão scalabriniana na igreja de Santo Antônio, o Pe. Alfredo Gonçalves dá a seguinte definição: “acolher, escutar e reconciliar”, características estas que se alinham paralelamente às da definição de Gilberto Freyre. Em suma, Santo Antônio vai atravessando espaços e o tempo como sinal marcante da fé católica. Viva o Santo Antônio!!!

Fonte: http://provinciasaopaulo.com/?p=1564

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