terça-feira, 28 de julho de 2009

China: uma burocracia a serviço do capitalismo imperialista. Massacre da minoria étnica uigur recebe o silêncio internacional.

Depois de 2008, em que as Olimpíadas de Pequim foram marcadas pelo sangue da repressão à população do Tibet, o governo da China, neste ano, massacra o povo de Xinjiang. A recente onda de protestos, enfrentamentos e disputas étnicas nesta região do noroeste da China chamou a atenção do mundo inteiro.

A província autônoma de Xinjiang, composta essencialmente por membros da etnia uigur, assistiu a uma manifestação imensa pedindo que se averiguasse um linchamento de membros de sua etnia em Cantão (sul da China). A manifestação acabou extravasando todo o ódio dos uigures ao governo que reprime sua nacionalidade. O resultado foi a conversão do protesto contra as perseguições em ataques desse grupo contra chineses da etnia han (maioria na China, mas minoria em Xinjiang).

Entretanto, o que se tenta vender como simplesmente uma disputa étnica, recheada de elementos racistas e conflitos religiosos, tem na sua essência as consequências da desigualdade social consolidada ao longo dos séculos.

Xinjiang, hoje, é uma província autônoma da China (aos moldes do Tibet), mas era um reino independente até ser anexada pela China, em 1759. Situada ao noroeste da China, na fronteira com o Paquistão e Afeganistão, foi palco de diversos levantes contra o domínio chinês, fazendo com que este perdesse o controle da região. Porém, em 1949, com o apoio da URSS, foi -definitivamente- incorporada à República Popular da China.

A partir disso, o governo chinês passou a incentivar ondas de migração para o novo território, fazendo com que a etnia han aumentasse de 6% em 1949 para 41,5% em 1976 na região de maioria uigur. Impossível não reparar no caráter de “limpeza étnica” nos moldes balcânicos, como fazia o governo sérvio em outras províncias da ex-Iugoslávia, ou mesmo do “branqueamento” da população no Brasil, Uruguai e Argentina, por exemplo. Esta política foi acompanhada da subordinação econômica e cultural da região, relegando os uigures a chineses de 2ª classe, o que tem continuidade até os dias atuais.

Importante destacar que os uigures, diferentemente da maioria chinesa de religião budista, são muçulmanos e falam uma língua que tem parentesco com a turca, sendo, culturalmente, mais identificados com os paises da Ásia Central do que com a China.

Uma luta pela sobrevivência e autodeterminação
Somente nessa última onda de protestos, iniciada em julho e que durou cerca de quatro dias intensamente, morreram mais de 180 pessoas, entre os conflitos étnicos, diretamente, ou em lutas com o exército do governo. Em alguns momentos, milícias hans perseguiam os uigures, vasculhando ruas e agredindo seus membros, suas casas e suas lojas, num “arrastão” permitido pelas forças policiais, de terror e violência, lembrando casos semelhantes e assustadores, como o dos tutsi em Ruanda ou dos judeus, na Noite dos Cristais na Alemanha nazista de 1938.

A principal reclamação dos uigures em relação ao governo reside, justamente, na sua postura diante das reivindicações -e da existência- desse grupo. Ativistas dizem que atividades e práticas comerciais, culturais e religiosas dos uigures têm sido gradualmente suprimidas pelo Estado. Além disso, a política de migração é mais um dos motivos de tensão, já que muitos chineses melhor preparados conseguem empregos mais rapidamente.

Assim, fica clara a política do Estado chinês de eliminar, física e culturalmente, uma etnia minoritária.

Considerando que a China é um governo burguês como qualquer outro (ainda que tenha um passado operário, e um partido dirigente que se denomina comunista), sua ideologia é burguesa e, conseqüentemente, preconceituosa e repressora. O preconceito étnico permitido e incentivado pelo governo é uma conseqüência da luta de classes, em que interessa à classe dominante, seja em que país for, dividir os trabalhadores e jogá-los uns contra os outros.

Os uigures são parte de um grupo que foi, historicamente, dominado pelos chineses. Seus costumes e tradições tendem, portanto, a sofrer uma pressão ideológica do Estado para que desapareçam, estabelecendo, assim, um pais homogêneo etnicamente. Os revolucionários devem, antes demais nada, denunciar a covarde agressão de um Estado opressor contra uma nacionalidade oprimida, em que são assassinados os que lutam e inclusive crianças.

O respeito às minorias, sejam elas étnicas, religiosas, etc., não pode se dar sob um governo burguês,e isso está sendo provado mais uma vez. O Estado burguês precisa do preconceito e da discriminação para melhor dividir os trabalhadores e explorados e, assim, melhor controlá-los e superexplorá-los. Nossa política deve ser a de lutar pela autodeterminação dos povos e pela independência dos que assim desejam.

Somente dessa forma, com democracia e respeito aos diferentes povos, costumes e etnias é possível lutarmos para unificar os trabalhadores dentro de um mesmo país, em que essa união seja expressão do interesse comum, e não da dominação de um sobre outro.

Informe Movimento Revolucionário

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